“Meu Nome É Ray” não tem o impacto que poderia ter.

 

Em um filme que tenta se construir à base de conflitos familiares, diferentes personalidades, estigmas sociais e uma jornada de amadurecimento entre família e amigos, Meu Nome é Ray não consegue encontrar em seu tempo o essencial para tornar essa história uma jornada não necessariamente emocionante, mas no mínimo envolvente, que seria fazer de seus personagens pessoas reais e certas de sua visão de mundo, mostrando através de diálogo mais do que pessoas alheias de conteúdo e personalidade. O maior problema aqui não é um conflito compreensível, mas sim uma falsa ideia de conhecimento por parte do público.

O longa parte de um ponto em que o sonho de Ray, um garoto transgênero, está prestes a se tornar real, faltando somente sua mãe, que o apoia e incentiva, assinar uma papelada para que possa começar a usar testosterona. Aqui nos são apresentados estes, mais a avó de Ray, Dolly e sua perceira Frances.

Com seu primeiro título sendo “About Ray” (Sobre Ray) e trocado posteriormente para “3 Generations”, o filme concorda que seu conteúdo não é focado nos conflitos de um único personagem, porém acaba por diminuir todos seus problemas ao tentar incluir uma narrativa conectada entre essas três gerações, transformando seus noventa minutos em uma bola de neve sem rumo, que acaba por ser apenas uma jornada atrás de uma assinatura. Não existe uma forte conexão muito menos vontade de ver o desenrolar desta história arrastada.

Aqui, o foco que tenta se dividir entre três núcleos diferentes acaba por deixar seu personagem titular como coadjuvante enquanto observa sua mãe à procura de uma ideia concreta do que acredita – um conflito aleatório que a personagem não parecia ter, introduzido na narrativa somente para gerar algum tipo de resposta emocional.

No fim, Meu Nome é Ray não passa uma mensagem de conscientização ou aceitação, mas sim um compilado de características únicas distribuídas em um filme como uma lista de compras: a cada segundo presenciamos traços de personalidade que não se desenvolvem e continuam até o desfecho como uma desculpa para trazer uma história “moderna” sem o devido apelo e impacto que poderia ter.

Vinícius Soares

Cinéfilo desde que descobriu o que significava cinema e o valor da Sétima Arte, viciado em séries em um nível saudável, desenha ocasionalmente e escreve mais do que come. Sonha em ser roteirista e jornalista e com certeza deseja ser um pouco mais alto