“A Morte Te Dá Parabéns” não se leva a sério e esse é um grande acerto.

Browse By

Dos mesmos produtores de CORRA!, A Morte Te Dá Parabéns é um filme que despertou a curiosidade dos fãs do gênero. Aqui nós conhecemos Tree, uma universitária popular e moderninha que está fazendo aniversário. Ela só não esperava que nessa grande noite, um assassino mascarado a matasse sem dó e nem piedade. Que merda, né? O problema é que Tree misteriosamente acorda na manhã seguinte e tudo está se repetindo, até mesmo a sua morte. Isso acontece de novo, e de novo, e de novo, indicando que uma pessoa muito próxima pode estar envolvida em seu assassinato e ela não vai parar de morrer enquanto não descobrir quem é o responsável, afinal, cada dia (ou morte) reserva uma oportunidade diferente para que ela resolva esse grande mistério.

Misturando Pânico com No Limite do Amanhã, pode ser dizer que a ideia de A Morte Te Dá Parabéns é um belo sopro de criatividade dentro de um gênero já saturado. Claro que essa coisa de viver todo o dia o mesmo dia já foi explorada diversas vezes (e com diversas abordagens), mas dentro da categoria serial killer, esse é um argumento inédito nos cinemas e os produtores realmente abraçaram a causa, entregando um filme frenético, lotado de diversão e também algo que serviu como o Fator X dessa mistura: sem se levar a sério.

Com bastante perseguição e gritaria, nós somos embalados naquela velha história de “quem matou?”, porém em uma roupagem diferente e que não tem medo de assumir que é bagaceira mesmo. A comédia e o suspense são bem equilibrados e deixam claro o empenho para que a gente se divirta horrores, ele não tenta ser mais do que pode (ou deve) ser e isso faz total diferença. Quem matou? Qual o motivo? Essas perguntas ficam na nossa cabeça durante todo o tempo e garanto que seus palpites mudarão ao longo do filme. Todo mundo tem motivo para matar Tree e isso dá um ar bem bacana na produção, isso sem falar no clima delicioso que ronda seus 95 minutos.

Outra coisa que faz a diferença, é justamente aquilo que a gente mais teme nos filmes de terror: os clichês. A maneira como o roteiro se apoia e brinca com eles é muito foda, tirando sarro de si mesmo e entregando um montão de situações “tragicômicas”, inclusive várias reviravoltas que brincam com o espectador. Quando achei que o filme fosse acabar *BOOM* tudo começava de novo; esse dinamismo com o espectador é muito bacana e faz com que a gente aproveite A Morte Te Dá Parabéns da maneira correta: deixando o cérebro do lado de fora do cinema. Ele resgata um sub gênero que há um bom tempo não dava as caras nos cinemas, o slasher, esse também é um ponto mais do que positivo para a coisa toda, sair dessa bolha de fantasmas, demônios e etc e tal, é um bom alívio.

No papel principal está a atriz Jessica Rothe, guardem esse nome. Ela matou a pau e entregou uma atuação fantástica, cheia de carisma e também passando todo o ar badass de Tree, que está bem longe de ser bobinha e essa personalidade rende momentos ótimos ao longo do filme, seja no suspense ou na comédia. Ela ficou perfeita como uma Scream Queen e aliada a todos os gêneros que a produção se estende, só intensificou a diversão que A Morte Te Dá Parabéns entrega com louvor. Israel Broussard (Bling Ring) também fez um bom trabalho como parceiro de Tree, ajudando muito no nosso envolvimento com a história e dando aquele ar adolescente típico de um bom slasher.

A Morte Te Dá Parabéns é um filme muito legal e divertido, que deixa claro que os clichês podem ser utilizados sem cair na mesmice e diverte justamente por ter um propósito claro de entreter quem assiste. Você ri, você fica tenso e se depara com uma produção muito honesta que é facilmente destacada no meio de tantas outras. Tudo ali é pensado para que a gente tenha um momento legal e isso é muito gratificante, principalmente em uma época cheia de tramas iguais e que não nos fisgam com criatividade e personalidade. Os filmes de terror/suspense não precisam ser originais ou cheio de artimanhas, basta um pouquinho de boa vontade para que tudo funcione e aqui nós temos um belo exemplar dessa teoria. Inofensivo e divertido, não há melhor definição para essa delícia e eles estão de parabéns ❤

 

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.