”O Círculo” peca em não nos fazer vivenciar uma ficção.

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The Circle é uma das empresas mais poderosas do planeta. Atuando no ramo da Internet, é responsável por conectar os e-mails dos usuários com suas atividades diárias, suas compras e outros detalhes de suas vidas privadas. Ao ser contratada, Mae Holland (Emma Watson) fica muito empolgada com possibilidade de estar perto das pessoas mais poderosas do mundo, mas logo ela percebe que seu papel lá dentro é muito diferente do que imaginava.

Embora tenha uma história promissora e com um argumento atual, onde tudo gira em torno de números de acesso, seguidores, curtidas, popularidade e aceitação, a ideia de O Círculo acaba se perdendo por não conseguir explorar todo o potencial de personagens. Ty, vivido pelo promissor John Boyega é um dos fundadores da empresa, e tinha muito a dizer sobre o seu descontentamento com os rumos que a situação havia tomado, podendo ser o contraponto chave e trazer mais empolgação na hora de mostrar o quão alienante e errado parecia tudo aquilo (de acordo com a obra literária na qual ofilme foi baseado), mas acabou ficando apenas com aparições enigmáticas e pouco envolvimento; assim como o personagem Eamon Bailey, vivido por Tom Hanks (também produtor do longa), que apesar de ter sido impecável em sua atuação, conseguindo cativar e convencer toda vez em que apareceu para palestrar à favor do sistema, também não teve grande impacto no desenvolvimento geral do filme.

Sendo assim, por deixar todos os demais personagens de lado para se focar em Mae, personagem de Emma Watson, o filme perdeu sua profundidade, o que ajudou a enfraquecer a trama, já que nada além pode ser explorado. Tudo isso me fez sentir que faltou algo no filme, e mesmo que a princípio eu tenha entrado no cinema, imaginando algo que fosse apresentar algum tipo de desfecho surpreendente, acabei saindo do cinema imaginando que mais meia hora ajudaria a trama, que poderia ter sido explorado melhor os pontos positivos, como os atores e o argumento interessante e atual.

Na saída comentando com uma colega que estava na sessão, cheguei à conclusão de que apesar daquilo tudo ser real, parece que faltou uma contextualização para que os sistemas citados, como câmeras espalhadas pelo mundo, mostrando detalhes de ruas, ou estradas monitoradas por sistemas de navegação dos veículos, fossem muito mais surpreendentes, para nos fazer realmente vivenciar uma ficção.

Enfim, apesar de bons discursos e argumentos apresentados pela personagem de Emma, e até mesmo uma reviravolta, faltou a cereja do bolo, algo que nos fizesse ir além da nossa realidade; onde já vivemos monitorados, onde já podemos pagar nossas contas através de um único sistema, onde já vivemos em um mundo onde a sociedade se encontra em uma hipocrisia de querer mostrar o que vivem contanto que não seja feio ou constrangedor… ou seja, faltou em O Círculo mostrar algo que nos fizesse pensar além da caixa.

Liliane Stoianov
Colaborador | Também do autor.

Trintona, psicolouca, pedagoga, ama viajar, tocar piano, compartilhar minha paixão que é o cinema, os devaneios e o que mais vier à cabeça durante as tramas e películas que assisto.

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