“O Culto de Chucky” inova tanto, que a franquia perde sua identidade.

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Se levarmos em consideração que A Maldição de Chucky é uma produção feita diretamente para DVD, e esse tipo de filme (principalmente se tratando de terror) muitas vezes ter o gosto bem duvidoso, até que ele não é tão ruim assim. Depois da avacalhação que foi O Filho de Chucky, os produtores conseguiram trazer o terror de volta e mesmo que muita coisa pudesse ser melhor em muitos aspectos, o resultado é bem satisfatório se você não estiver esperando muita coisa.

Foi aí que eles se empolgaram com a recepção okay que o filme recebeu e resolveram estender a franquia para mais um capítulo, apostando novamente no lançamento direto em Home Video, O Culto de Chucky foi lançado e meus amores… realmente a cabeça dessa galera de Hollywood não tem limites.

Dessa vez a trama começa alguns anos depois do final de A Maldição de Chucky e Nica está internada em um hospital psiquiátrico. Com todo mundo taxando a fofa de louca, tudo complica quando um dos doutores do local começa a usar vários exemplares do bonequinho amigão da criançada em suas terapias. Óbvio que Chucky voltou e não demora muito para que, um a um, os habitantes do local começam a morrer misteriosamente. Só tem um problema, qual dos bonecos é o verdadeiro? #momentos

Estou até agora tentando entender o que eles quiseram fazer com esse filme. Digo isso porque O Culto de Chucky inova bastante na mitologia da série, e apesar de ser bem sucedido em sua ideia, muda completamente tudo o que conhecemos sobre o icônico personagem. Esse é o grande problema da produção, eles acabaram com aquela magia que os filmes antigos tinham, apostando em um novo rumo exagerado, que não condiz com  o que vimos nos últimos anos e deixando claro que a intenção não é lá honrar a força que o nome ‘’Chucky’’ tem no cinema, mas sim fazer filmes baratos e confusos, que pouco fazem jus a toda a ”epicidade” que aqueles cabelos ruivos já demonstraram ter. O Brinquedo Assassino ainda pode funcionar nos dias de hoje, mas acredito que apostar no que deu certo (e também na simplicidade) é o melhor caminho a ser seguido, coisa que não acontece aqui.

Apesar de começar bem, com um clima de suspense bem gostoso e um ar realmente diferente dos outros, O Culto de Chucky vai caindo ladeira abaixo e passa a ser tedioso em muitos momentos. As cenas são repetitivas, as mortes não empolgam, o humor não é engraçado e as explicações para tudo o que eles inventaram é de fazer chorar. É como se os roteiristas tivessem fumado alguma substância das boas e tido uma ideia bacanuda, mas dá impressão que eles esqueceram o que estavam fazendo e foram emendando cena atrás de cena, situação atrás de situação, sem fazer lá muito sentido ou ter alguma explicação que nos fizesse comprar tudo aquilo.  O Culto de Chucky é um filme perdido, que não sabe qual caminho seguir e desperdiça um grande potencial ao tentar ser muito diferentão.

Realmente pra mim não colou. É como se não tivéssemos diante de um filme do Brinquedo Assassino, apesar da criatividade, essa ideia não pareceu funcionar da maneira adequada. Enquanto A Maldição de Chucky tentou resgatar a velha essência da franquia, esse novo capítulo muda tudo o que conhecemos e de uma forma bem triste se lembrarmos do que esse boneco muito louco já causou no passado. Tem seus momentos bons, principalmente no começo, mas a conclusão de tudo foi bem lamentável. O Chucky como conhecemos está morto, e isso é muito, muito triste 🙁

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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