”O Dia do Atentado” tem uma trama dinâmica e emocionante.

Browse By

Após os atentados terroristas à Maratona de Boston em 2013, um grupo formado pelo Sargento da Polícia Tommy Saunders se unem aos bravos sobreviventes para identificar e capturar os responsáveis pelo ataque terrorista antes que eles possam fazer novas vítimas. Com um elenco cheio de rostos conhecidos do público, como Kevin Bacon, John Goodman JK Simmons e Michelle Monaghan, O Dia do Atentado é um filme que tinha tudo para ovacionar e evidenciar o patriotismo americano, como Hollywood adora fazer, mas pegou leve e focou mais no drama, na união dos cidadãos daquela cidade e na ação da polícia, na tentativa incansável de restabelecer a paz, e capturar os criminosos responsáveis por um dos maiores ataques sofridos pela cidade de Boston.

Nesse enredo vemos o personagem principal, vivido por Wahlberg, lutando não apenas para descobrir e perseguir os criminosos, mas contra si mesmo, já que sua personalidade e seus vícios, colocam em risco sua carreira e seu casamento, e sim, é óbvio que já vimos o ator nesse papel de herói meio que desgarrado de algumas noções de ética, coisa e tal, mas isso, pelo menos pelo que eu senti, só fez com que ele parecesse mais à vontade dentro do personagem (aquela familiaridade nossa de cada dia). Também temos na trama, a chorosa Michelle Monaghan, que interpretou a esposa de Wahlberg, meio insossa, mas ao menos estava ali cumprindo seu papel. John Goodman também pareceu dentro de sua zona de conforto, porém não tão acomodado, impostando bem sua voz e seu suor nas telonas, quem me surpreendeu foi J.K. Simmons (Whiplash), que se empenhou e entrou de cabeça nas cenas de ação e por vezes, pareceu até canastrão e debochado, daquele tipo de policial que não vê a hora de se aposentar (pareceu bem verídico), porém gosta dá valor ao que faz!

O filme se segura bem nesse elemento “equipe”, ao reunir personagens não somente solidários com a tragédia em si, mas personagens que puderam transmitir a real empatia que os sobreviventes e profissionais tiveram no dia da tragédia. Outro ponto forte da trama foi como conseguiram explorar os diversos estilos de imagem, entre câmera em primeira pessoa, imagens que pareciam parte de documentários reais e a filmagem do filme em si, essa espécie de “rodízio”, aumentou a ação e a dinâmica do filme, e é claro, trouxe ainda mais a veracidade dos fatos, do sofrimento e da agonia dos personagens naquela caçada aos terroristas.

Apesar desses elementos bem pontuais e muito bem inseridos na trama, como a equipe e o estilo dinâmico das filmagens, o que superou tudo, ao menos para mim, foi que, apesar de aparentemente ter um personagem principal, um “herói”, na verdade o acontecimento em si e a cidade são os verdadeiros protagonistas; foi exatamente a maneira genial como os personagens e até as situações mais comuns e simples, vividas por eles, foi evidenciada, através das conexões que foram sendo desvendadas aos poucos, e das consequências de cada pequena ação, é que pudemos perceber a real relevância e participação de cada personagem para a trama.

Após acompanharmos e descobrirmos qual era a conexão de cada um com o atentado, a importância dos personagens vem à tona, tudo se encaixa e faz total sentido, é essa a interação que o telespectador faz, descobrindo conexão por conexão, que deixa a trama interativa e emocionante, nos trazendo para dentro do filme e instigando a querer ligar ponto a ponto, sentido e entendendo a real relevância da busca por justiça, a relevância da empatia, do amor e do engajamento que deve existir diante de uma tragédia. Tudo isso, acaba ficando no automático diante de um filme tão emocionante e relevante como este, e é por isso que eu super recomendo O Dia do Atentado, até porque nos dias de hoje, precisamos mesmo lembrar que podem nos tirar tudo, menos o amor, porque se ainda sobrar um resquício de vida, ele estará ali!

Liliane Stoianov
Colaborador | Também do autor.

Trintona, psicolouca, pedagoga, ama viajar, tocar piano, compartilhar minha paixão que é o cinema, os devaneios e o que mais vier à cabeça durante as tramas e películas que assisto.

>