“O Estranho Que Nós Amamos” tem um clima bem gostoso de novela das 6.

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Elogiadíssimo no Festival de Cannes deste ano, o novo filme da (maravilhosa) Sofia Coppola (Bling Ring, Maria Antonieta) é a refilmagem de uma produção de 1971 estrelada por Clint Eastwood.

Na trama acompanhamos um soldado da guerra civil, John McBurney (Colin Farrell), que é resgatado por Amy (Oona Laurence) uma garotinha que vive em um colégio só para garotas. Quando o cara chega no local, todas as moças que vivem ali ficam encantadas pelo charme do bonitão e aos poucos é instalado um clima de ciúme e desejos que poderá colocar em cheque toda a paz em que elas vivem.

Com um elenco de responsa, que também conta com a presença de Nicole Kidman, Kirsten Dunst e Elle Faning, nós acompanhamos tudo no maior clima de novela das seis. Cada uma delas começa a disputar a atenção de John e aos pouquinhos a trama vai ganhando forma e deixando uma certa curiosidade em como toda essa patifaria vai terminar. O problema é que toda a primeira parte de O Estranho Que Nós Amamos é um bem arrastada e nada de muito emocionante acontece.

A sutileza na qual Sofia Coppola conduz a trama é realmente muito bonita, a fotografia e a sonoplastia dão um ar chiquérrimo na produção, porém, ao meu ver, acho que a história poderia ser um pouco mais ousada e explorar mais as intrigas, as picuinhas e toda essa ‘’rivalidade’’ que as garotas travam. É tudo muito indireto, silencioso, e por mais que essa abordagem gourmet tenha seu valor quando falamos de cinema como arte, creio que um pouquinho mais de barracos intensificariam o clímax.

No final, quando o bicho pega, foi como se eu estivesse assistido dois filmes diferentes, no qual as atitudes dos personagens soaram um tanto quanto repentinas, já que pouca coisa que realmente mostrasse todo esse desejo pelo tal estranho aconteceu. Tá certo que o estilo da diretora não é esse, assim como a proposta do filme, mas um pouco de Casos de Família não faz mal para ninguém, concordam? Potencial para algo intenso a trama tinha de monte, e pelo menos para a mim, faria total diferença para criar um vínculo real com os personagens.

Com atuações poderosas, uma direção caprichada e uma trama que, de certa forma, nos faz analisar o comportamento humano, O Estranho Que Nós Amamos é um filme para se assistir tomando um vinhozinho e harmonizando com um queijo caro. Não achei lá muito emocionante ou me despertou altas sensações, mas vale a pena ser visto para admirar toda a sua beleza técnica. Se você gosta dessas histórias beeeem novelona, pode ter certeza que essa aqui tem um clima bem gostoso, pena que demora um pouquinho para realmente engrenar e mostrar o seu verdadeiro propósito.

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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