O Homem nas Trevas (Crítica)

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Não tenho dúvidas de que se Esqueceram de Mim ganhasse uma versão suspense, o resultado seria algo mais ou menos parecido com O Homem nas Trevas. Partindo da boa e velha premissa mocinhos vs vilão este poderia ser um daqueles filmes que facilmente caem no esquecimento ou apenas se tornam mais um na multidão.  Felizmente, dirigido muito bem pelo talentosíssimo diretor uruguaio Fede Alvarez(A Morte do Demônio, 2013) esta é uma produção que vai muito além do prometido e no final de sua projeção só me fez pensar em uma coisa: SOCORRO!!

O Homem nas Trevas Elenco

Na história acompanhamos Rocky, Money e Alex, três ladrõezinhos do bem que invadem as casas para roubar itens de valor, nada mais do que isso. Eis que o grupo recebe a bela dica de que em um certo bairro afastado, habita um solitário senhorzinho cego com uma grande fortuna escondida. Mamão com açúcar, né? Até seria, só que o velhinho leva muito a sério o ditado ‘eu sou cego, mas não sou surdo’ sendo capaz de utilizar de todos os seus instintos para acabar com a vida de qualquer um que ameace a sua paz… e também descobrir os seus terríveis segredos.

Dylan Minnette e Jane Levy

Vou utilizar de muita sinceridade para falar desse filme, há muito tempo eu não via algo com uma carga de tensão tão grande quanto esse. Claro que tivemos várias produções intensas e divertidas nos últimos anos, mas de verdade, creio que O Homem nas Trevas esteja ganhando disparadamente. Tive a sensação de que os roteiristas sentaram na mesa com uma cerveja gelada e falaram: ‘beleza, vai acontecer isso, agora como a gente deixa mais legal?’ Parece que cada situação que os protagonistas são submetidos, foram pensadas meticulosamente para deixar o espectador nervoso, inquieto na cadeira e soltando várias onomatopeias de aflição.

Com um roteiro simples, é nítido que o diretor usou de muita criatividade para estabelecer um climão e nos inserir na trama; as cenas sem trilha sonora e os jogos de câmera para ambientar a casa, foram ótimas sacadas e ajudaram muito a imergir em uma trama carregada de perseguições, claustrofobia, violência e também surpresas. O suspense é quase palpável, o perigo é real e é bom ver também que ninguém é bonzinho ali, mesmo que suas intenções sejam compreensíveis, os protagonistas não passam de bandidos. Para quem você torceria? Para os ladrões ou para o senhorzinho solitário? Garanto que durante boa parte você ficará em dúvida 😉

O Homem nas Trevas

O fato do vilão ser deficiente visual e com sentidos aguçados, dá um tchan a mais na coisa toda e Fede Alvarez usa e abusa de cenas onde aquela sensação de nervosinho domina, principalmente uma em especial quando os protagonistas são jogados na escuridão total e não sabem o que fazer, ela foi realmente gravada no escuro e improvisada, é muito legal ver que os atores realmente estavam com medo; isso passou uma realidade imensa e comprova como a produção se empenhou em causar sensações no espectador. Isso sem falar nas reviravoltas da trama, que são constantes, chocantes e eletrizantes, a cada minuto a coisa vai crescendo mais e mais e galera… isso é sensacional. As perseguições são muito boas, violentas e tornam este um filme obrigatório para todo mundo que gosta de um bom suspense, ele mantém o interesse do começo ao fim e te deixa com uma sensação de falta de ar em diversos momentos. Sabe aqueles pesadelos onde você corre, corre, corre e parece nunca ter um fim? É como se ele tivesse ganhado vida.

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O Homem nas Trevas é um filme muito tenso e desconfortável, não há um minuto onde você faça uma pausa para respirar aliviado e chega a ser impressionante reparar como uma história simples e que tinha tudo para ser mais do mesmo, conseguiu ir muito além. Este não é só mais um filme de suspense, é também uma comprovação de que talento e criatividade conseguem superar qualquer clichê ou trama batida. No meio de tantos filmes convencionais e feitos em modo automático, é ótimo saber que há gente disposta a entregar um produto onde o espectador faça parte da história, e acredito que se tratando de uma produção do tipo, é algo que faz total diferença. Foi incrível desfrutar desse divertido e delicioso pesadelo, já quero novamente 🙂

5 estrelas

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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