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O Lar das Crianças Peculiares (Crítica)

Quando o livro ‘O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares’ foi lançado em 2012, eu realmente enlouqueci. Fiquei encantado por sua edição e além de ter uma história chamativa, ele era lotado de ilustrações que davam um tom macabro e muito bonito na obra. Ou seja, meu lado compulsivo atacou, comprei mesmo, não conseguia largar e devorei bem rapidinho; realmente curti o que tinha lido e só pensava em quanto seria legal ver aqueles personagens na telona e tudo o que imaginei ganhando vida, foi aí que pouco tempo depois veio a notícia de que Tim Burton estava envolvido no projeto e pronto, era só aguardar um pouco e conferir o resultado com aquela maldita ansiedade.

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Na história acompanhamos Jake, um garoto que cresceu ouvindo histórias de seu avô sobre um orfanato localizado em uma fenda no tempo e habitado por pessoas com estranhos poderes, inclusive uma diretora que pode se transformar em pássaro. Quando o velhinho morre em circunstâncias misteriosas, o nosso herói recebe indícios de que esse local pode realmente existir e que seus habitantes estão à sua espera para derrotar um inimigo no qual somente ele pode enxergar e que tem como prato favorito nada menos que carne de crianças peculiares. Uma graça, né?

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Esquecendo meu amor pela trama literária e falando sobre O Lar das Crianças Peculiares como uma obra cinematográfica, confesso que esperava muito mais de tudo o que vi. Não que o filme em si seja ruim, mas apesar da história cheia de elementos encantadores e que mexem com a nossa imaginação, tive a impressão de que os personagens ficavam mais tempo explicando as coisas do que de fato fazendo algo que desse vida a trama; parece que boa parte do filme é uma espécie de tese de doutorado sobre como funciona uma fenda no tempo e isso quebra um pouco do clima. Tudo é muito didático e isso tira a magia e curiosidade que o filme poderia ter, afinal, a graça de descobrir novos mundos é a curiosidade, não é mesmo? Principalmente falando de Tim Burton, um diretor conhecido por explorar muito bem os universos no qual ajuda a criar; aliás, achei também que o visual poderia ter mais da sua assinatura, com aquela coisa mais excêntrica, diferentona e super charmosa que é sua marca registrada e claro, ficaria lindo neste universo criado por Ranson Riggs.

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Outra coisa que me incomodou foi o fato de parecer que os roteiristas não sabiam muito bem como adaptar o livro e precisaram inventar uma história nova para ficar mais palatável ao espectador, resultando em uma confusão tremenda em vários pontos. O orfanato é cheio de personagens fortes, poderosos, carismáticos e isso é pouco explorado, focando em um protagonista apático que rouba a cena de quem poderia acrescentar muito mais emoção na coisa toda; sim ela mesma, Eva Green ou Srta Peregrine, que está mais para uma coadjuvante de luxo do que para uma verdadeira mentora a ser idolatrada. CARA ELA SE TRANSFORMA EM PÁSSARO E CONTROLAR AS HORAS, DÁ UMA ATENÇÃO MAIOR PARA ISSO!!!!! É realmente uma pena notar que muita coisa ali pareceu jogada e remanejada para tentar fazer sentido, e sinceramente, acredito que a magia e o encanto não precisam disso. A imaginação muitas vezes fala por si só, fantasia não precisa de tanta explicação, mas sim de sentimentos… uma peculiaridade que infelizmente não apareceu tanto por aqui, apesar da sensação de aventura e mistério sempre presente.

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O Lar das Crianças Peculiares não é ruim, pode até parecer que eu detestei mas está bem longe disso, apenas fiquei meio indiferente a tudo o que rolou e tudo mais, realmente não foi um filme que me despertou grandes emoções, diferente de sua obra original. Ele tem sim um clima bem delicinha e um visual maravilhoso que enche os olhos, além de conter elementos que atiçam nossa imaginação e que consegue nos transportar para uma outra realidade (ou tempo), só que infelizmente seu roteiro é bem tosco e não dá para ignorar quanto potencial ele tinha para ser foda, só de pensar em como ela teria sido caso optassem por uma adaptação mais fiel, dá até uma dor no peito. Sim, faltou emoção, faltou sentimento, mas fazer o que né? Ele ainda cumpre o seu papel de entretenimento e mesmo ficando muito abaixo da expectativa, ainda é uma opção válida para aquela sessão da tarde que todo mundo gosta. Queria sair do cinema com vontade de me transformar em um pássaro bem bonitão, mas eles também ficaram me devendo isso 🙁

3 estrelas

 

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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