”O Mago das Mentiras” poderia ter sido bem mais dinâmico.

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O enredo de O Mago das Mentiras gira em torno de Bernard Madoff, um ex-consultor financeiro norte-americano que criou uma das maiores empresas de investimentos de Wall Street. Condenado por fraude, ele foi responsável por uma sofisticada operação, nomeada Esquema Ponzi, que é considerada a maior fraude financeira da história dos EUA.

O filme transmite toda seriedade que uma situação real e complicada como um golpe financeiro de proporções catastróficas é, também passa toda tensão, desenvolvimento e consequências da irresponsabilidade de um investidor, vivido por Robert De Niro, que aliás, esteve muito bem no papel, transparecendo a mais completa falta de escrúpulos ou empatia. Além dele, temos Michelle Pfeiffer, no papel da esposa devotada que é um tanto alheia aos negócios do marido, que apenas se foca na criação dos filhos, participar de festas e viver a vida de dondoca que o dinheiro pode proporcionar. Acreditem, ela não ficou só nisso, sua personagem cresceu à medida que o escândalo financeiro do marido foi abalando a estrutura familiar e psicológica de cada membro da família. Foi a partir daí que a esposa, deixou toda sua dor e desespero transparecer, e logo em seguida, uma ponta de coragem. Michelle foi como sempre, muito crível.

Assim como ela, os atores Alessandro Nivola e Nathan Darrow, que viveram os papéis dos filhos, Mark e Andrew Madoff, conseguiram acompanhar o ritmo do filme e crescer em suas participações e atuações, a medida que a trama exigiu isso deles, com cenas pra lá de dramáticas, evidenciando o desespero e aquela sensação de impotência ao ver seu mundo, sua vida, suas finanças e sua reputação ruindo! A trama de O Mago das Mentiras soube se guiar bem em pautas que apesar de clichês, continuam relevantes (e sempre continuarão), ao frisar na questão do poder, da corrupção e na sede sucesso.

Mas nem tudo são flores, apesar da credibilidade transmitida pelos atores, de uma trilha sonora pontual e assertiva, de uma tema que foi além das negociações, ações e flutuação do mercado financeiro, ou todo aquele glamour que o dinheiro pode proporcionar, acredito que tenham se empenhado demais em mostrar minuciosamente as consequências, que acabaram perdendo um pouco a noção do tempo, assim como apesar de sentirmos o empenho dos atores e a evolução dos seus personagens, infelizmente, da maneira como tudo foi exposto, não consegui sentir empatia, no fundo ficou aquele clima onde todos tinham sua parcela de culpa, o que tirou um pouco do impacto da tragédia familiar que poderia deixar o público mais tocado pela história.

O Mago das Mentiras tinha tudo para ser bom, uma história interessante baseada em fatos reais e bons atores, mas foi mal desenvolvido, ficou um pouco monótono, deu algumas arrastadas, poderia ter sido explorado de maneira mais dinâmica e economizado as duas horas exageradas para contar a história. É ai que a gente pode ver quem realmente se interessa pelo assunto, ou quem vai apreciar e aguentar sentado durante tanto tempo por um drama, que não é lá bem a realidade nossa de cada dia.

Liliane Stoianov
Colaborador | Também do autor.

Trintona, psicolouca, pedagoga, ama viajar, tocar piano, compartilhar minha paixão que é o cinema, os devaneios e o que mais vier à cabeça durante as tramas e películas que assisto.

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