O que assistimos, maratonamos e lemos de legal em SETEMBRO de 2017.

Esse mês nos reunimos para conversar sobre as coisas que assistimos, ou lemos, ou maratonamos deitados no sofá ao longo das últimas semanas. Foi ai que surgiu nossa nova coluninha mensal, onde cada membro da equipe indica duas obras legais que teve contato ao longo do mês, cada um com seu estilo e com o intuito de indicar coisas diversas, do cult ao trash, do divertido ao sério, para que você tenha sempre uma ótima opção visual ou literária. VEM COM A GENTE! <3

Gaga: Five Foot Two

O documentário mostra um pouco de como a cantora produziu e gravou seu último álbum, e também um pouco de sua vida pessoal. Vale a pena para quem gosta da cantora ou apenas quer passar um tempo assistindo algo diferente. A trilha sonora, como não poderia deixar de ser, está sensacional 😉

Amor.com

Para quem gosta de filme levinho, essa produção nacional tem tudo para agradar. Amor.com conta a história de uma Youtuber de moda que se apaixona por um Youtuber de games e todos os problemas que se desenrolam a partir daí. É uma comédia romântica brasileira bem simples, mas que agrada pelo seu tom descontraído e uma fofura gigante entre os protagonistas. Ísis Valverde mandou muito bem 😉

Now 

Durante um ano, o ator Kevin Spacey vestiu 200 vezes a pele do tirânico Ricardo III, de Shakespeare, em uma peça que percorreu 12 cidades de 3 continentes e somou duas centenas de apresentações em diferentes teatros. O documentário dirigido por Sam Mendes (de “Beleza Americana”) traz uma equipe de filmagem que acompanhou a trupe, filmando os bastidores, os ensaios, os processos de criação, as viagens, as muitas culturas de diferentes países, o espetáculo de 90 minutos foi apresentado em cidades como Londres, Istambul, Sydney, Nápoles, Pequim e Nova York. E ofereceu a oportunidade para um grande público assistir à magnífica interpretação do ator como o inescrupuloso rei que representa toda a hipocrisia do mundo da política.

O título “Now/Agora” faz referência a primeira palavra da peça original shakesperiana: Now is the winter of our discontent / Agora, o inverno do nosso descontentamento. Se você se interessa por artes cênicas e direção, saiba que esse documentário oferece um olhar mais atento à experiência de ser ator e também a respeito do que é preciso para formar uma empresa teatral – a partir dos ensaios diários, do processo de criação de um personagem com o diretor, a equipe e colegas atores para então partir em turnê e passar um ano na estrada após toda essa preparação.

Those People

Acreditem ou não esse filme é praticamente um Gossip Girl GAY. Isso porque se passa no atraente Upper East Side, em Manhattan, e conta a história de um jovem pintor que está dividido entre seu vil melhor amigo e um romance promissor com um pianista estrangeiro. Então já podem imaginar a trama cheia de intrigas, pegação, decepção, emoções a flor da pele e sim… algumas fofocas também. Gostei muito da dinâmica do filme, o roteiro é objetivo, envolvente e facilmente identificável, retratando com certa competência (um pouco romantizada e em alguns momentos fantasiosa? talvez) a turbulenta transição da adolescência para a vida adulta, quando sua rotina, relacionamentos e – algumas vezes – até a noção do “eu” sofrem mudanças em virtude da carga de responsabilidade que todos nós somos obrigados a enfrentar.

Capitão Fantástico

Nem sei como falar, só sentir. Só vejam!! Capitão Fantástico é um filme americano de 2016, escrito e dirigido por Matt Ross, que conta a história de uma família composta pelo pai Ben Cash (Viggo Mortensen) e seus 6 filhos que são criados somente por ele depois que a mãe das crianças faleceu. Eles moram e são criados no meio da floresta em um trailer improvisado e aprender com o pai como lutar, caçar e tem uma rotina dura de exercícios, estudos e leitura, além de entenderem sobre astronomia, astrologia e como ser auto suficiente e sobreviver a qualquer situação. As crianças são criadas bem livres, vestem o que querem, aprendem e discutem sobre tudo e vivem um estilo bem diferente do resto da sociedade, mas isso não significa que são mal educadas ou livres de regras, e percebe-se um choque com esse estilo de vida quando o pai e as crianças têm que voltar à “civilização” depois do falecimento da mãe e acabam tendo alguns atritos com os parentes, já que eles acreditam que as crianças estão sendo criadas da maneira errada e podem até ficar defasados em relação às outras pessoas.

Nem preciso comentar que é maravilhoso quando as crianças provam que são lindas, independentes, fortes e muito mais inteligentes que qualquer outra criança que já conhecemos. O filme é sensível, profundo, simples, leve e faz com que reflitamos sobre tudo o que fazemos, o porquê das nossas escolhas e da nossa rotina e quais valores queremos levar a diante nas nossas vidas, mas não de uma maneira chata e de imposição, muito pelo contrário, o filme conquista.  

Atypical

Uma série bem legal que entrou esses tempos na Netflix é Atypical. A série conta a história de Sam (Keir Gilchrist) um adolescente de 18 anos que está terminando a escola e quer arranjar uma namorada. Até então, tudo normal, tudo igual, a grande sacada é que Sam tem Transtorno do Espectro Autista. Uma série sobre um garoto autista querendo uma namorada não vemos sempre por aí. Claro que também mostra a relação do menino com seus amigos, sobre como autistas se relacionam com outros jovens, e com a sua família, uma mãe muito protetora, mas porque tem medo do que o filho tem que enfrentar no mundo real com pessoas que nem sempre compreendem o que é ser autista, um pai que sempre foi distante e agora tenta se reconectar com o filho e a irmã mais nova que acaba cuidando e sendo a fortaleza dele, sua melhor amiga e uma das poucas pessoas que consegue compreendê-lo de verdade, mas que ao mesmo tempo se sente meio invisível na família por conta de todo cuidado que Sam sempre exigiu. A série é muito bacana por tratar de assuntos que não estamos acostumados e por uma outra vertente, sem dúvida e de uma maneira bem real e natural e que mostra como uma pessoa com autismo pode ser como todo mundo, e tem os mesmos anseios inclusive de namorar e ter uma relação saudável com as outras pessoas, mesmo que a sua própria maneira.

O Bar

Um filme que assisti nesse último mês, sem grandes expectativas, até porque eu não havia ouvido falar sobre ele, e acabei assistindo meio que “no escuro”, sem indicação, sem nada, mas que me surpreendeu positivamente, foi: O Bar (original, El Bar).

Em um café no centro de Madrid, pessoas tomam o seu café da manhã tranquilamente, como de costume. Mas, quando um dos clientes leva um tiro na cabeça ao colocar os pés fora da loja, o clima de tensão invade o local. Agora, eles estão presos, e temem sair do local e acabar terminando com o mesmo destino do homem. O problema é que a convivência com estranhos pode ser tão perigosa quanto sair dali O clima de tensão impera, hipóteses, conflitos, conspirações e muito suspense envolvido, ajudam muito a nos prender aos personagens, que são interessantes e suspeitos, e à história, é um filme com basicamente um cenário só, que cumpre bem o objetivo a que se propõe.

Polícia Federal – A Lei É Para Todos

Bom, o título do livro já entrega tudo, e venho recomendar a leitura. Pude acompanhar o filme que foi inspirado no livro, e nos acontecimentos reais… e recomendo. O livro aborda com mais detalhes toda a trajetória da operação, desde o início e o desenrolar de toda a investigação, que mudou os rumos da nossa política e ainda está acontecendo. O livro nos faz sentir não apenas um choque diante da impunidade e o caos estabelecido em nossa política, como também traz boas reflexões e uma gota de esperança em meio a um oceano de criminalidade.

A trama evidencia a sede pelo poder e a falta de escrúpulos de alguns envolvidos no esquema, assim como a coragem e a transparência que ainda podem e devem existir nos combatentes e responsáveis pelas investigações e prisões obtidas nessas investigações. O único lado negativo: assim como no livro, na realidade, a operação não conseguiu terminar sua missão, mas ainda teremos outros capítulos e acontecimentos, até que todos os envolvidos sejam punidos e tenhamos um pouco mais de justiça e equilíbrio nesse país!

O Estranho Que Nós Amamos

O drama de guerra reimaginado de Sofia Coppola, baseado no filme de 1971 estrelando Clint Eastwood, conta com todos os elementos para fazer um filme mediano se passar por bom sem precisar de imaginação em excesso ou tramas dificultadas. É um filme que te faz subestimar e ignorar suas protagonistas, esperando que o homem infiltrado naquela sociedade funcional faça algo para acabar com a paz. A câmera observadora e controlada sabe extrair as emoções do ambiente e incita sexualidade, desejo e faz de cada ação delicada, olhar ou um simples dar de ombros falar sobre aquele mal que é amado, mas que, mesmo podendo ser cortado pela raiz, consegue aterrorizar mais que o seu dobro em um par de muletas.

Supergirl

Na opinião do que escreve, a melhor série de heróis da CW, Supergirl encarna o clichê que quer ser, sem vergonha ou medo de ser julgada mal por quem assiste. A série consegue manter um nível de atenção introduzindo pistas novas do futuro a cada episódio e faz de cada quarenta minutos o seu gibi semanal que não precisa de muita enrolação. “Supergirl” é diversão fácil para quem não torcer o nariz aos moldes que a série quer preencher.

A Descoberta da Escrita (Karl Ove Knausgard)

Esse é o 5º dos 6 volumes de um projeto literário que é considerado o mais ambicioso e polêmico da atualidade. São livros tão autobiográficos que fizeram parte da família do autor cortar contato com ele e ameaçar processá-lo. E isso deu tanto o que falar na Noruega (país de origem) que a série vendeu quase meio milhão de cópias. Ela se insere no que tem sido chamado de autoficção, que, grosso modo, é um meio termo entre autobiografia e ficção. Parte da graça disso é que você sabe que a narrativa tem o pé bem firme na vida real, mas ao mesmo tempo é impossível apontar o que é fato e o que é inventado. No caso dessa série, o narrador se apoia numa riqueza de detalhes tão grande que não dá pra achar que aquilo é tudo lembrança, mas por outro lado o efeito do real é potencializado justamente por isso; as cenas praticamente surgem ao redor do leitor.

Nesse volume, são narrados os anos em que o autor-narrador-protagonista se desenvolveu como escritor. A história começa no ano em que ele frequenta a Academia de Escrita Criativa e se estende aos anos da faculdade de letras. Com 20 e poucos anos de idade, Karl Ove alimenta o sonho de se tornar escritor enquanto combate uma autoestima quase subterrânea. Seus primeiros contos são descritos como “clichê” ou “rasos” pelos colegas, o que o deixa cada vez mais deprimido. Em paralelo, ele tem paixões platônicas, toca em uma banda com o irmão e trabalha em hospitais psiquiátricos cuidando dos internos, mas nada serve de escape. A autocrítica está sempre ali, pontuando a narrativa com bebedeiras seguidas de atitudes questionáveis e ressacas morais piores do que as físicas. É um livro essencialmente depressivo. Mas, se isso parece contrapropaganda, a verdade é que a narração não é menos do que viciante. Os momentos mais banais são cheios de vivacidade, e os mais vergonhosos despertam uma curiosidade mórbida difícil de escapar.

Mas a quantidade de volumes não precisa intimidar. O que liga os livros é mais a unidade temática. Não há prejuízo em ler fora de ordem ou não ler todos, apesar de valer muito a pena.

São Paulo S/A (Luis Sérgio Person)

Poucas coisas são mais justas do que esse filme da década de 1960 ser considerado até hoje um dos melhores do cinema nacional. Ele mostra logo no primeiro plano o domínio narrativo do diretor, com uma composição simples, mas muito expressiva, que apresenta ao espectador o que ele vai ver nas próximas duas horas. Estamos em plena industrialização de São Paulo, e a indústria automobilística está crescendo. Carlos (Walmor Chagas) é um jovem de classe média que prospera na vida profissional enquanto definha na vida pessoal e isso afeta diretamente sua esposa Luciana (Eva Wilma), que ele abandona logo na primeira cena, antes de o filme voltar no tempo e contar como tudo começou. Cada vez mais vertical, a cidade é um pano de fundo opressor que contribui pra ruína interna desse homem que se deixou levar pela ambição, mais ou menos como o yuppie de “Psicopata Americano”, mas sem os assassinatos e mais equilibrado entre o drama pessoal e o contexto social. E o mais assustador é o quanto esse contexto continua atual.

Crônicas de Gelo e FogoGuerra dos Tronos e Fúria dos Reis

Okay. Eu sei que to meio atrasado pro rolê, mas é justamente por isso que preciso falar dessas lindezas. Uns bons 3 anos atrás enchi a boca pra falar que jamais perderia meu tempo lendo essas bíblias e olha eu paguei com a língua, pois o livro consegue ser tão fascinante quanto a série! George RR Martin tem uma habilidade fantástica em pintar o “Mundo de Gelo e Fogo” com suas palavras. Seus ambientes, culturas, costumes e personagens. Minha parte favorita é definitivamente sua decisão de narrar a história do ponto de vista de diversas personagens (Sansa, Arya, Bran, Jon, Daenerys, Tyrion, Catelyn, Ned, Davos, Theon… por enquanto), sem que em nenhum momento elas sejam confundidas. E se você já viu a série: ler fica ainda mais divertido, pois Martin faz questão de espalhar presságios de futuros acontecimentos, como uma visão tida por uma personagem sobre um certo banquete sangrento 🙁

Fuller House – Temporada 3A

Embora eu só tenha visto a série original nos infinitos reruns do SBT, me apeguei de uma forma inexplicável ao revival/continuação. Mesmo com seu humor básico, piadas batidas e tudo o mais, a série tem um coração tão quentinho que acabou virando uma das minhas séries conforto favorita (porém sem tirar o posto de Will & Grace, Miranda e New Adventures of Old Christine… eu tenho muitas favoritas ‘-’)… Enfim, é uma série perfeita para quando se está com o peito pesado de todos os twists e reviravoltas das outras séries (e da vida também), ideal para o fim de um dia cansativo, ou para um manhã de folga, ou para uma tarde de fim de semana preguiçosa ou para ver durante o almoço/janta e alguns outros momentos 🙂