Os altos e baixos de M. Night Shyamalan

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Dono de uma criatividade inegável, esse diretor nascido e crescido na Índia tem uma carreira digna de notoriedade e comentários. Aos 46 anos de idade, para o bem ou para o mal, M. Night Shyamalan (ou Manoj Nelliattu para os íntimos), já passou por muita coisa em sua profissão; entre (grandes) sucessos e (enormes) fracassos, fica a certeza de que seu nome figura entre os mais importantes dessa geração, afinal, não é todo mundo que consegue emplacar um clássico do cinema nos dias de hoje, não é verdade? Trabalhando com atores famosíssimos e impulsionando outros para o estrelato, algo que sempre podemos esperar dele é o inusitado, não importa se você gosta ou não, ele sabe como trabalhar com isso e se tornou sua marca registrada. Por isso, que tal falarmos um pouquinho sobre sua carreira? Muitas surpresas te aguardam nos próximos parágrafos 😉

VEM COMIGO!

Olhos Abertos (1998)

Muitos não sabem, mas antes de O Sexto Sentido, Shyamalan dirigiu essa comédia estilo Sessão da Tarde, que infelizmente não ficou muito conhecida pelo mundo.  Ele conta a história de um garotinho que depois da perda do avô começa a questionar a vida.  Um filme simples, mas que muitas pessoas gostam… e desconhecem de sua filmografia.

O Sexto Sentido (1999)

Foi no ano de 1999 que tudo realmente começou, o primeiro grande filme de M. Night Shyamalan foi um sucesso tremendo… e inesperado. Com um elenco maravilhoso, que lançou Haley Joel Osment para o mundo, e uma história criativa, ninguém esperava que ela fosse ser tão surpreendente e que acima de qualquer coisa: se tornaria um clássico do cinema. Ninguém esquece aquele final e a surpresa que marcou o nome do diretor na cabeça da galera foi também o seu maior fardo. Aquele jovem indiano desbravador do cinema em Hollywood colhia os frutos de sua criatividade sem saber o quanto isso ia lhe custar.

Corpo Fechado (2000)

O segundo grande filme de Shyamalan estreou no ano seguinte. Repetindo a parceria com Bruce Willis e se juntando com Samuel L. Jackson, o diretor resolveu contar uma história de super heróis extremamente realista e com uma humanidade linda de se ver. Mostrando um rapaz que sobreviveu sem nenhum arranhão a um acidente ferroviário e sua relação com outro rapaz que tem os ”ossos de vidro”, a mistura de drama e suspense foi magnifica, pena que as pessoas esperavam algo surpreendente em seu final, ou algo mais movimentado, fazendo com que Corpo Fechado tivesse um destino um tanto quanto triste, afinal, mesmo com uma legião de fãs conquistada, este filme não é muito lembrado pelas massas. Fato que, mesmo contra a vontade de M Night, deixou uma sequência engavetada até segunda ordem 🙁

Sinais (2002)

Tá aí um filme que apesar de muita gente discordar, caiu nas graças do público e mesmo que não seja necessariamente um clássico, é bem lembrado pela galera. Estrelado por Mel Gibson, Joaquin Phoenix, Rory Culkin e uma pequenininha Abigail Breslin, essa história sobre uma aparente invasão alienígena é um suspense muito bem feito. Cheio de mistérios e com atuações convincentes de todo o elenco, Shyamalan mostrou uma outra visão clássica sobre as criaturas; marcas em plantações, barulhos esquisitos, seres altos e magricelas… Sinais é mais um bom filme do diretor, que assim como Corpo Fechado, foi alvo da fúria da galera que esperava uma grande reviravolta. No mais, ele se mostrou ótimo para dirigir crianças 😉

A Vila (2004)

Foi aí que Shyamalan começou a desandar. Pelo menos perante boa parte das pessoas. Lembro até hoje da chamada na televisão brasileira, que após o comercial, o narrador implorava para que ninguém contasse o final desse filme. Marketing que botou uma expectativa gigante no pessoal que sonhava em ter o mesmo impacto que O Sexto Sentido fez com a força e a glória de um verdadeiro rei. A história de A Vila demonstrou uma criatividade notável e um vilarejo aterrorizado por monstros da floresta tinha um potencial macabro enorme. Além de ter um senhor elenco, com nomes como Sigourney Weaver, Adrian Brody, William Hurt, Brendan Gleeson e mais uma vez, Joaquin Phoenix.

Particularmente, acho toda a trama sensacional e o final é realmente surpreendente, além de contar com uma protagonista deficiente visual interpretada muito bem por Bryce Dallas Howard, que despontou para a fama logo após o sucesso que foi impulsionado por seu marketing tendencioso. Porém, boa parte das pessoas não aceitou muito bem tudo o que aconteceu e começou uma birra tremenda com o diretor, enaltecendo (ao meu ver, injustamente) uma incapacidade que o cara tem de criar novamente finais realmente chocantes e colocando A Vila como o início de seu declínio.

Eu realmente discordo de muitas coisas que li a respeito desse filme, e vocês?

A Dama na Água (2006)

Se A Vila divide opiniões até hoje, o mesmo não acontece com A Dama na Água. Essa foi uma produção ousada e novamente contando com Bryce Dallas Howard, a fábula de ‘’terror’’ que conta a história de uma criatura aquática achada na piscina de um condomínio, realmente foi massacrada por público e crítica. Novamente sem um final chocante e utilizando de muita licença poética para dar o seu tom, o público não engoliu, achando tudo muito pretensioso e até mesmo absurdo. O resultado foi um desempenho pífio nas bilheterias e na época de seu lançamento, indicado ao Framboesa de Ouro como um dos piores do ano.

ps: eu gosto desse filme, acho lindo como o diretor usa de muita criatividade nas suas tramas, principalmente nessa, que era uma história que ele inventou para contar para os seus filhos e deu vida nas telas. É compreensível todo o hate em cima dele, mas poxa…. é um filme tão mágico 🙁

Fim dos Tempos (2008)

É… se A Vila foi razoavelmente bem recebido e A Dama na Água sofreu de uma extrema rejeição, Fim dos Tempos tinha a missão de mudar tudo isso. A história que acompanha uma misteriosa onda de suicídios despertou o interesse da galera e tudo caminhava para um bom sinal. Mortes, suspense, criatividade, Shyamalan já havia mostrado que manja dos paranauê e o mundo (ainda) não tinha perdido as esperanças no cabra.

O filme estreou e se os seus dois últimos trabalhos sofreram críticas severas, Fim dos Tempos foi basicamente um atestado de óbito assinado por quase todo o público e crítica. A galera não engoliu de jeito nenhum a explicação da trama, que falou sobre a revanche da Mãe Natureza em cima dos seres humanos e despejou toda a sua ira em cima dele. Considerado até então o pior filme de sua carreira, a trama estrelada por Zooey Deschanel e Mark Whalberg foi indicada a tudo quanto é premiação de ‘’piores dos piores’’ e, infelizmente, foi aí que o nosso querido e sonhador diretor perdeu de vez a moral em Hollywood.

ps (de novo): não me matem, não desistam de mim, mas esse é um dos meus maiores guilty pleasures da vida. Novamente exalto a criatividade do diretor e todo o clima de tensão da história, pena que as atuações realmente não tem como defender e não ajudam em nada para que a qualidade aumentasse.

O Último Mestre do Ar (2010)

Adaptação do famoso desenho ‘’Avatar: The Last Airbender’’, Shyamalan ganhou mais uma chance com Hollywood e com o grande público, que estava cada vez mais cético sobre a qualidade de sua vindoura obra. Não vou me estender, o filme não só fracassou nas bilheterias devido (em partes) a má fama que o diretor ganhou nos últimos anos, como novamente foi considerado um dos piores dos piores no ano de seu lançamento. Shyamalan perdeu a sua moral e na época não era surpresa nenhuma encontrar diversas matérias por aí que humilhavam o diretor e o colocavam em um fundo do poço onde dificilmente ele sairia. Se em tempos de outrora ele foi conhecido por fazer filmes de qualidade notável, a reviravolta de sua carreira foi tão chocante quanto a do seu primeiro filme.

ps (juro que vou tentar não fazer mais): se você me julgou por Fim dos Tempos, saiba que esse aqui eu realmente detesto, não tem como defender nada … rs

Demônio (2010)

Diferente dos outros filmes citados, aqui Shyamalan preferiu apenas assinar o roteiro. Novamente mostrando sua criatividade, ele fez uma história sobre cinco pessoas presas em um elevador… e uma delas era o cramulhão em carne e osso. Segurando o mistério e tendo momentos de bastante tensão claustrofóbica, este filme não foi tão mal recebido quanto os outros. Ele teve um desempenho satisfatório nas bilheterias e apesar do público dividido no veredicto, Demônio não é uma produção que as pessoas odeiam. Acho que foi uma estrelinha de bom menino e Shyamalan passou de ano sem tomar grandes broncas.

Depois da Terra (2013)

Vamos recapitular? Shyamalan, até então, lançou OITO filmes com seu nome embutido. Três deles foram bem recebidos, dois dividiram opiniões e mais três fizeram a treva na sua carreira. Dito isso, ele conseguiu que a Sony bancasse Depois da Terra, uma história futurística que mostrava pai e filho que caíam na Terra, encontrando um local destruído pelo tempo e com perigos que eles não podiam prever.

M Night. ainda não tinha se aventurado na ficção científica e contando com o nome de Will Smith e seu filho Jaden como protagonistas, os holofotes voltaram novamente para si… assim como os perigos, já que sua carreira sofria um empate técnico e se Depois da Terra fracassasse, a corda ia pender para o lado mais fraco. O que aconteceu? Em uma virada dramática o placar mudou. Novamente Shyamalan se via na lista dos piores dos piores do ano e sua empreitada fracassou em diversos níveis. É… a coisa ficou feia pro lado dele.

A Visita (2015)

A coisa não tava nada bonita para ele. Estigmatizado por seu primeiro filme e sempre vítima de uma expectativa monstruosa, para o bem ou para o mal, Shyamalan viu sua carreira chegar em um ponto sofrível. Mas como todo bom sonhador, ele não desistiu. Arregaçou as mangas e conseguiu recursos para lançar a sua mais nova história de suspense e terror: A Visita.

Com um baixo orçamento, A Visita estreou nos cinemas dos EUA e se vocês estão pensando que foi um fracasso pode colocar a pedra de volta no bolso. A história dos netos que foram conhecer os avós e ao passar uma estadia com eles, descobriram que os bons velhinhos não são tão inocentes assim, foi um verdadeiro sucesso. SIM! Não só de público, mas também de crítica! OI???? Repito, SIM! O público engoliu a trama e aceitou muito bem, exaltando a simplicidade e diversão do roteiro, que entrega uma dose de criatividade, um tom descompromissado e levemente assustador. Glorificando também o final surpreendente, que mesmo que não fosse lá dos mais imprevisíveis, marcavam um pequeno e notável retorno do bom e velho M. Night.

PONTO DO INDIANO! PLACAR EQUILIBRADO MAIS UMA VEZ! CADÊ O GRITO DA TORCIDA? UOOOOOBA!

ps: a cena do forno é só amor!

Fragmentado (2016)

Com A Visita surpreendendo a galera em um sentido animador, Fragmentado foi a sua mais nova produção. Com James McCavoy no papel principal de um sujeito com 23 personalidades diferentes, esse filme foi o sopro de esperança que as pessoas precisavam.

Com estreia prevista no Brasil para dia 23 de março de 2017, Fragmentado já é o maior sucesso da sua carreira; ficando por três semanas consecutivas no topo dos mais assistidos lá fora e lucrando milhões em bilheteria. Além do sucesso estrondoso com a crítica, que já o considera um dos melhores trabalhos do diretor. É mole ou quer mais? Em breve os brasileiros poderão confirmar a veracidade dos fatos e vocês poderão conferir a nossa crítica aqui no site, mas olha… é revigorante saber disso, não é mesmo? NOSSO SHYAMALAN ESTÁ VIVO!

BOMBA BOMBA BOMBA! NÃO ACABOU AINDA NÃO!
Respeitando sua ‘’tradição’’, separei uma pequena reviravolta para vocês.

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O Pequeno Stuart Little (1999)

OI????

Talvez você não saiba, mas M. Night Shyamalan foi um dos roteiristas desse pequeno clássico da infância da galera que cresceu nos anos 90. Sim, ele ajudou a dar vida a um dos personagens marcantes do cinema infantil ‘’atual’’ e muita gente desconhecia desse fato. O filme arrecadou milhões, ganhou sequências e ele faz parte do histórico dessa franquia que encanta crianças pelo mundo inteiro.

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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