“Os Defensores” peca em não trazer uma história de amizade.

Assim como “Star Wars: A Ameaça Fantasma” e “Os Vingadores”, “Os Defensores” da Marvel na Netflix carregavam esse peso e expectativa dos fãs das séries solo de cada herói e, assim como os exemplos dados, precisavam ser um sucesso certo para garantir seu espaço e fazer justiça a toda a história que se construiu até aquele ponto. No entanto não é como se desde “Luke Cage” a qualidade dessas aventuras episódicas estivesse se mantendo e levando a frente sua proposta de seriedade para uma vida urbana de super-herói. E aqui com apenas oito episódios, a reunião de condomínio da Marvel na Netflix se encontra apoiada nos pilares errados para se sustentar.

Partindo de uma análise de créditos iniciais, cada herói teve até hoje muita personalidade na maneira em que a direção e a escrita de cada temporada trata dos problemas mundanos. Vermelho sempre relacionado ao Demolidor, púrpura para Jessica Jones, amarelo para Luke Cage e mais recentemente o verde do Punho de Ferro. Aqui, abrindo cada episódio com a geografia urbana de Nova Iorque, mesclando cada um destes tons para cada personagem, “Os Defensores” passa desde muito cedo a sensação de uma paródia feita com base na sua essência que sempre foi defender Manhattan, Hell’s Kitchen e salvar a população trabalhadora dos perigos que se escondem em cada beco.

Em uma tentativa de integrar estas diferentes personalidades em uma missão, o visual descamba para um trabalho muito escrachado de coloração e deixa de lado sua sutileza, os diálogos, que deveriam trazer leveza e uma construção de amizade dentro da história, se sustentam em piadas ocasionais sobre dragões impossíveis e o objeto de narrativa mais importante que deveria unir essas quatro grandes forças, o vilão, não passa de mais uma personalidade com complexo de grandeza que não tem um foco decidido, rebaixando o nível de credibilidade em seu mal.

Para resumir o que em apenas oito horas já é bem resumido, a primeira temporada dos Defensores da Marvel se encontra parada na estação central que leva cada herói para um caminho diferente. Não necessariamente este encontro deveria fazer com que os justiceiros permanecessem juntos, mas simplesmente os fizessem crescer para suas próprias vidas sem compromisso. Dessa forma, um futuro mais apropriado seria um em que Jessica Jones não tenha três figuras masculinas para atrapalhar suas decisões, onde o Demolidor consiga lidar com seus sentimentos confusos em sua própria maneira de lobo solitário e Luke Cage e Danny Rand não precisem forçam o espectador a ouvir suas reclamações e provocações.

Vinícius Soares

Cinéfilo desde que descobriu o que significava cinema e o valor da Sétima Arte, viciado em séries em um nível saudável, desenha ocasionalmente e escreve mais do que come. Sonha em ser roteirista e jornalista e com certeza deseja ser um pouco mais alto