Parem o que estão fazendo e vão ler o quadrinho ”Desconstruindo Una”.

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Parem tudo o que estão fazendo agora e vão ler o quadrinho Descontruindo Una. Ouvindo opiniões, algumas pessoas acharam clichê e que faltou ser mais profundo, outras acharam sensacional e um soco na cara da sociedade machista, não importa de que lado você acabe ficando, o importante é que é uma leitura necessária.

O quadrinho é de 2016 da editora Nemo e conta a história da própria autora, britânica, que se auto intitula Una (com o sentido de uma, uma de muitas). Descontruindo Una fala sobre a passagem da infância para adolescência de Una, morando em um pequeno município inglês, em Leeds na Inglaterra, por volta de 1975 e que estava vivendo sob a ameaça do serial killer Yorkshire Ripper.

Enquanto ela vai narrando os assassinatos do serial killer, os esforços da polícia para pegá-lo (mesmo já tendo interrogado o culpado 9 vezes sem descobrir que era ele, pois era um homem amável e querido por todos na comunidade, como sempre, mas que no final foi pego, seu nome é Peter Sutcliffe) e a reação da população a esse tipo de ameaça, vai contando também suas próprias experiências de uma sociedade machista e de diversos tipos de abusos que sofreu desde os 10, 12 anos, por desconhecidos e também por namorados, quando começou a entender o que era uma sociedade onde a violência masculina não era julgada, punida ou questionada, pelo contrário, muitas vezes incentivada, e que a mulher vítima, muitas vezes (senão todas) seria a verdadeira culpada e que acaba sendo chamada de vadia, fácil, apontada na rua e muitas vezes descriminada até por seus amigos e família.

Nesse contexto, Una vai crescendo e seu desejo sexual vai ganhando espaço, sua vontade de se conhecer e de explorar, seus conflitos internos e toda essa questão da adolescência, mas sempre oprimida por conta de toda violência, abuso e falta de apoio que ela veio vivenciando, acaba se tornando envergonhada, oprimida, ansiosa e depressiva e passa por uma série de enfrentamentos internos e externos para tentar se livrar de todo esse peso e talvez seguir com uma vida “normal”.

O quadrinho é repleto de ilustrações incríveis e sensíveis, traz muita variedade gráfica e sensorial, e um conteúdo grande de informações sobre a banalização da violência contra as mulheres na Inglaterra e no mundo.

Resumindo, forte, cruel, muito necessário.

Alessandra Ganan
Colaborador | Também do autor.

Nasceu e cresceu em São Paulo e hoje é graduada em Letras, Artes Cênicas e Audiovisual, mas quando criança só brincava de ser outras pessoas. Assistiu sua primeira série e filme “de adulto” aos 11 anos e de lá para cá nunca mais parou. Apesar de ariana, é uma pessoa legal.

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