“Pica-Pau: O Filme” é um filme ruim, mas também não é detestável.

Para falar do filme do Pica Pau, vocês precisam saber um pouco sobre como ele foi concebido. Apesar do sucesso estrondoso aqui na terra da dança da bundinha, o pássaro doido não faz muito sucesso pra lá da fronteira, ou seja, em resumo, essa adaptação foi feita pensando quase que exclusivamente na América Latina e optando por um lançamento direto em DVD e streaming nos outros continentes. Isso explica a escolha da atriz Thaila Ayala para o elenco e também acende o alerta de perigo das produções de baixo orçamento, que vamos combinar, nem sempre são feitas com a dedicação necessária para que o resultado seja no mínimo satisfatório.


Pica-Pau: O Filme tem aquela velha história de homem malvado vs criatura da natureza. Aqui um milionário resolve destruir parte de uma floresta, e junto de sua namorada metidinha (Thaila), construir uma mansão moderníssima e cheia de luxo no meio do nada. Eles só não contavam que ali vivia um pássaro muito louco, que pretende transformar a vida desse casal da pesada em uma verdadeira confusão. Vai ser um Deus nos acuda!

Seguindo essa linha ecológica e passando pelo bom e velho drama familiar, Pica-Pau: O Filme tem tudo aquilo que você já espera; não que tivesse a missão de ser algo além. A trama é bem bobinha, cheia de piadinhas fracas e passa praticamente o tempo todo com o personagem título infernizando a vida da galera, além de mostrar aqueeela trama básica sobre pais e filhos; daquela maneira que a Sessão da Tarde adora, auxiliada por gente tomando choque, levando cocô de passarinho na cabeça e claro, dando com a vassoura na cara do outro, no maior estilo Os Trapalhões.

Você já deve imaginar que o foco não foi nem de longe agradar aos mais velhinhos que cresceram ouvindo aquele ‘’HEHEHEHEHE’’, mas sim ganhar a criançada e inserir ainda mais o Pica Pau na cultura brasileira, mesmo que tal personagem merecesse algo um pouco melhor elaborado e executado. Acho que o maior defeito do filme é justamente ser bem comunzão, apelando para situações que já vimos milhões de vezes, e não tendo nenhum momento icônico para um personagem muito querido pelo Brasil; o que deixa ainda mais decepcionante se levarmos em consideração que ele foi feito pensando em nós. Vale pela presença da Thaila Ayala, que roubou a cena, cumpriu super bem o seu papel e reforçou que é sempre bom ver um rosto brasileiro conquistando mais um continente, né?

Pica-Pau: O Filme é ruim sim, com uma direção bem preguiçosa e um roteiro qualquer, que podia servir para qualquer história de animal doidão. Porém, mesmo com tudo isso, não acho que seja detestável e nooooossa que filme horroroso, a criançada vai curtir e acredito que ouvir as risadinhas delas pode deixar tudo mais simpático. Talvez se não tivéssemos assistido esse filme milhões de vezes, sentíssemos algo além da indiferença, que paira sobre nossas cabeças quando o Pica Pau voa na tela, soltando sua icônica e mal aproveitada risada, antes da tela ficar toda preta e os créditos finais subirem.

Victor Piacenti

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.