”Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” é mais do mesmo… mas continua legal!

Sem o mesmo alarde que seus antepassados, o quinto filme da franquia Piratas do Caribe chega aos cinemas. Utilizando da mesma fórmula de sucesso, aqui é a vez de conhecermos Salazar, um pirata conhecido por matar todo mundo que vê pela frente e sempre deixar um sobrevivente para espalhar sua fama por aí. Só que o cabra foi condenado a uma maldição e está passando o resto de sua vida como um fantasma preso em uma caverna. O responsável por isso é ele, o Capitão Jack Sparrow, que se mete em mais uma enrascada e acaba libertando Salazar e sua turminha muito louca. Jurado de morte, ele se junta a Henry e Carina, dois jovens que tem a missão de encontrar o tridente de Poseidon, um artefato lendário que é claro, vai despertar o interesse do vilão, que em uma tacada só poderá conseguir duas coisas que ele quer muito: vingança e poder!

Com uma trama que não tem muitas diferenças dos anteriores, o novo capítulo da bilionária franquia Piratas do Caribe é um daqueles filmes que mesmo não tendo um gostinho de novidade, ainda consegue nos satisfazer. Gente, vamos combinar, quem é que não curte uma aventura descerebrada com brigas de canhões, piratas doidos, vilões, lendas, mistérios… e tubarões fantasma? Tudo que vem na nossa cabeça quando pensamos em aventura está aqui, de uma maneira tão divertida que faz uma verdadeira lavagem na alma. A Vingança de Salazar tem um grau de diversão enorme, e junto de um humor bacana e muita criatividade para dar um ar lúdico nas cenas de aventura, ele se torna um filme obrigatório para quem não está procurando nada além de diversão.

Tudo bem que ele está longe de ser perfeito, a começar pelo elenco. Johnny Depp, apesar de dominar a arte de interpretar Jack Sparrow, parece que está em modo automático, sem muita empolgação. Kaya Scodelario e Brandon Thwaites são bons atores e tem personagens legais, porém não funcionam como um casal e não tiveram química alguma. Geoffrey Rush mais uma vez aparece na trama como Barbossa, porém tem pouca utilidade verdadeira na coisa toda e parece que apenas o colocaram ali por questões contratuais. Javier Bardem é a novidade da vez, só que Salazar, apesar de ter uma trama interessante, parece que nunca alcança o potencial que teria e acaba parecendo apenas mais um cara malvado. Esses quesitos quando pensados em conjunto, soam muito decepcionantes quando lembramos de toda a ‘’epicidade’’  que os piratas do caribe já demonstraram no passado.

A franquia realmente não se renovou na maneira como desenvolve a trama, o roteiro é bem previsível e acredito que tenha se esticado mais do que deveria, já que lá pela metade da história tem um montão de cenas sem utilidade narrativa alguma. É como se já tivéssemos visto tudo aquilo e durante boa parte da coisa toda nós apenas nos deixamos levar. Só que o filme vai crescendo e quando chega nos minutos finais somos abençoados com uma (longa) sequência visualmente deslumbrante e com um grau de aventura tão grande que é impossível não abrir um sorrisão e pensar ‘’pô, esse filme é mó dahora véi!”. Nos fazendo lembrar que o seu verdadeiro propósito é a diversão e nada além disso. Não há dúvidas que isso acontece de sobra aqui 😉

Os diretores Espen Sandberg e Joachim Rønning (Expedição Kon Tiki) demonstraram todo seu poder criativo e montaram um clima perfeito para os amantes da magia e aventura, mostrando que o conjunto da obra mesmo tendo suas imperfeições, ainda serve como um ótimo passatempo e que vai agradar em cheio todo mundo que não quer nada mais do que um momento legal numa sala de cinema. É pensando assim que ignoramos os defeitos que encontramos aqui e ali, e conseguimos aproveitar a trama da maneira adequada: como uma sessão da tarde perfeita para um dia sem muitos planos.

Apesar de não apresentar o mesmo frescor de antes, A Vingança de Salazar é um daqueles filmes que você entra na sessão e sai querendo pilotar um navio gritando: ‘’LIMPEM O CONVÉS, SEUS RATOS ASQUEROSOS”. Lotado de ação, magia e tudo aquilo que vem na nossa cabeça quando pensamos em aventura, essa é uma verdadeira pérola para quem procura um filme sem compromissos intelectuais e não se importa de almoçar a janta de ontem. Eu não ligo nem um pouco e acho que esse tipo de filme faz super bem, ele diverte, empolga e mexe com uma coisa que eu acho linda quando falamos de cinema: imaginação! Tem seus defeitos, mas também tem suas qualidades e elas falam beeeem mais alto. BEBEI AMIGOS, YO HO! 😀

Victor Piacenti

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.