“Polícia Federal – A Lei É Para Todos” tenta ser tão humano que parece caricato.

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Inspirado em fatos reais sobre a Operação Lava-Jato, uma série de investigações sobre a corrupção no Brasil, Polícia Federal – A Lei É Para Todos acompanhamos desde o início do processo até a condução coercitiva do ex-presidente Lula. Com nomes de peso do cinema nacional, como: Ary Fontoura (interpretando o ex presidente Lula), Marcelo Serrado (interpretando o Juiz Sérgio Moro), Flávia Alessandra e Antônio Calloni, o filme se sustenta num clima típico de perseguição, investigação e thriller!

Com a direção de Marcelo Antunez, percebemos o quanto eles se esforçaram para permanecerem neutros e tentam desmistificar a aura de heroísmo ou salvação que tanto buscamos. Algo que pairou no nosso território nacional desde que as investigações vieram a público e mancharam a reputação de grandes partidos, como também, trouxeram à tona um dos maiores escândalos de corrupção envolvendo grandes empresários e a maior estatal brasileira, a Petrobrás!

O destaque fica para as atuações de Flávia Alessandra, muito incisiva, corajosa e entregue ao papel, assim como Bruce Gomlevsky, no papel de um policial destemido, capaz de enfrentar até a própria família para defender seus ideais. Não precisamos falar muito sobre os monstros consagrados como, Ary Fontoura, que trouxe o ar da graça e, tirando até algum riso da platéia, diante de sua atuação impagável, porém realista, com aquela capacidade de roubar a cena, enquanto interpretou Lula. Antonio Calloni, como sempre, muito correto e entregue à seriedade do papel que lhe foi designado; cheio de questionamentos profissionais, essa característica pairou não apenas sobre esse personagem, ou sobre o ator, como também, em toda a equipe, que fez o possível para humanizar e dar mais realismo à trama.

A trilha sonora ajudou, assim como as cenas de perseguição e prisão, muito autênticas e realistas, trazendo por vezes um figurino muito crível também, remetendo muito aos filmes policiais e de ação que vemos no exterior, com toda parafernália, carros enormes e armas rotineiras; lembrando que também sentimos um ar de documentário e narrativa real dos fatos ocorridos em nosso país ao longo da trama.

Porém nem tudo são flores. Pudemos perceber a preocupação com que o filme foi produzido, em não parecer ficcional ou tender para um lado apenas, mas eles pareceram se perder um pouco, enquanto a própria Polícia Federal alega que eles teriam restringido a poucos cargos a atuação da polícia, dando relevância apenas aos delegados e mostrando como se eles cumprissem todas as tarefas existentes, como se não houvessem outros policiais e investigadores, tirando a precisão das investigações; enquanto isso, outra parte alega que a trama seria partidária, onde apenas o PT e Lula foram focados, algo que a própria produção desmente, já que as continuações prometem focar nas demais partes do processo e das prisões, que por sinal, está longe de terminar.

Embora a gente consiga sair do cinema com aquela ponta de esperança de que a corrupção pode ser barrada, porque ainda existe justiça e responsabilidade, o filme tenta o tempo todo ser neutro, com todos os envolvidos, sem um pingo de passionalidade, como todo ser humano possui. Sem parcialidades ou tendências, como se realmente ninguém precisasse se posicionar, como se todos pudéssemos ser neutros, mas no mundo real, sabemos que isso não existe, até os maus sabem o que é correto, e até eles reconhecem que existem pessoas capazes de passar por cima de si mesmas, para fazer com que a justiça e o correto prevaleçam. Então queridos, vocês precisam acompanhar essa trama, precisam relembrar dos fatos, precisam e precisamos ser realistas, precisamos ter consciência, embora alguns parâmetros nos permeiem, não dá pra permanecer neutro, a gente precisa sim, comemorar e colaborar a cada vitória, a cada vez que alguém, seja partidário de A ou B, é condenado. Quando vemos seus erros pintados nas nossas faces, refletido no nosso cotidiano, nas injustiças, na falta da aplicação das leis, da nossa falta de ação, porque de verdade, não esta fácil e temos ainda muito o que melhorar, os erros precisam ser corrigidos, punidos, mas o certo e o errado, o bem o mal, o que prejudica alguém, e o que enaltece, sempre existirá e precisa ser esclarecido.

O filme tenta ser tão neutro que a gente até desconfia, tenta parecer tão humano que parece desmistificar os heróis, mas, os heróis existem sim, nós precisamos deles para nos relembrar a cada dia a fazer o melhor, são os que acreditam na justiça, são os que fazem ela acontecer, são os que não tem medo, os que lutam até o final para ela acontecer (e isso o filme mostra bem, embora não aceitem o estigma de herói no filme), mas eles são humanos, eles felizmente (ainda) existem no mundo real, e não precisam usar máscaras ou capa vermelha, eles não precisam ser os mais amados do mundo, eles só precisam fazer a justiça prevalecer. Que venha a segunda parte do filme e que o desfecho seja positivo, tanto nas telonas, quanto na vida real, para todos nós!

Liliane Stoianov
Colaborador | Também do autor.

Trintona, psicolouca, pedagoga, ama viajar, tocar piano, compartilhar minha paixão que é o cinema, os devaneios e o que mais vier à cabeça durante as tramas e películas que assisto.

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