Posso te indicar ”Eu, Daniel Blake”?

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Esses dias fui ao cinema assistir um filme de que não havia ouvido falar muito ainda, na verdade em cartaz somente no circuito de filmes de arte, ele realmente não foi muito divulgado por aí sem ser nesse pedaço.

Eu, Daniel Blake, do diretor Ken Loach, é um filme europeu que conta a história de um senhor que sofre um ataque cardíaco e é afastado do trabalho por recomendações médicas e precisa ir atrás de receber então os benefícios concedidos pelo governo. Mas com a enorme burocracia que existe, sim mesmo na Europa, e não entendendo nada de internet e do mundo tecnológico, Daniel (Dave Johns) não consegue receber seus direitos e se enrola cada vez mais para atender as exigências do Estado. Nesse meio tempo, ele conhece Katie (Hayley Squires) uma jovem mãe solteira e seus dois filhos pequenos, que também estão passando por problemas e dependem dos benefícios concedidos pelo Estado para sobreviver. Daniel, na tentativa de ajuda-los, acaba desenvolvendo uma amizade com Katie e intensa afeição pelas crianças e vão enfrentando essa situação que estão vivendo juntos.

De uma sensibilidade incrível, o filme tem um timing perfeito, uma harmonia entre todos os elementos, atuações incríveis, até mesmo do elenco infantil e se encaixa perfeitamente inclusive, com o momento que estamos passando por aqui no Brasil. É um soco no estômago, um tapa na cara. É impossível não se afeiçoar aos personagens, não se emocionar, muitas vezes se indignar com tamanho descaso que todos estamos sujeitos a passar durante o filme e principalmente torcer muito por eles. Quando o filme acabou, o silêncio no cinema era geral, conseguia-se ouvir somente alguns soluços e choro baixinho entre as pessoas e nesse momento ficou claro como todo mundo se envolveu com o filme e como ele cumpriu seu papel, na minha opinião, imperdível!

Além desse motivo do cinema, tenho também outros motivos para fazer você assistir a esse filme. E um dos melhores motivos é o fato de no Festival de Cannes, o diretor Ken Loach, que ganhou uma Palma de Ouro pelo filme aos 79 anos, e sua equipe foram ovacionados durante 15 minutos depois da exibição do filme. Loach faz um cinema de militância, de esquerda e social. Sempre acerta o tom, mas dessa vez se superou.

Alessandra Ganan
Colaborador | Também do autor.

Nasceu e cresceu em São Paulo e hoje é graduada em Letras, Artes Cênicas e Audiovisual, mas quando criança só brincava de ser outras pessoas. Assistiu sua primeira série e filme “de adulto” aos 11 anos e de lá para cá nunca mais parou. Apesar de ariana, é uma pessoa legal.

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