Power Rangers – O Filme (Crítica)

Browse By

Power Rangers começou a ser exibido no início dos anos 90 e se tornou uma verdadeira febre. Com algo em torno de 20 temporadas que ampliaram a sua mitologia, seu legado impera até hoje e pode se afirmar que a vida de muita gente foi marcada por esses heróis. Tenho até hoje o Megazord da primeira leva e também aqueles bonequinhos que trocavam a cabeça; isso sem falar nas memórias de infância no qual brincava com a galera, brigando para ser o Ranger Vermelho e fingindo que os relógios de R$1,99 eram o meio de comunicação. Meu fascínio pela série era gigantesco e parava qualquer coisa só para ver a Alameda dos Anjos sendo salva mais uma vez, afinal, aquele universo de monstros, alienígenas e heróis tinha todo um encanto e somado com toda a sua questão trash, tornavam Power Rangers um entretenimento certeiro para a época… e também para a imaginação.

Em 1997 tivemos um filme dos Rangers (e também uma sequência!) que mesmo não sendo lá aquelas maravilhas ao analisarmos nos dias de hoje, se tornou um clássico para toda uma geração.  Auxiliado pelo sucesso que a série ainda faz e também por essa nova safra de filmes sobre criaturas gigantes e robôs saindo no braço, era uma questão de tempo até que os produtores arriscassem essa revitalização da franquia.  Com bastante expectativa, Power Rangers foi ganhando forma e sua atualização se mostrava um verdadeiro blockbuster, com a promessa de uma aventura para esquecer dos problemas e acima de qualquer coisa: resgatar a nostalgia de uma época muito gostosa. Ou seja, um prato cheio não só para quem já é marmanjo, mas também para todo mundo que curte a boa e velha sensação de deixar o cérebro em casa e curtir um cineminha.

Seguindo aquela velha (e infalível!) fórmula que marcaram os filmes de super heróis, Power Rangers – O Filme acompanha a história de cinco adolescentes, cada um com seu dilema pessoal, que encontram um antigo artefato no qual o destino se encarregaria de levar aos seus merecedores. Após o contato com esse misteriosos objeto, a vida deles tem uma mudança drástica e eles descobrem que foram escolhidos para salvar a cidade onde vivem da terrível Rita Repulsa, que não tem planos nada amistosos para a raça humana.

Power Rangers – O Filme foi diferente de tudo que eu imaginava. Ao ver o trailer, foi inevitável pensar que ele pegaria a essência da série e abraçaria seu lado trash, entregando um pipocão lotado de diversão, humor e efeitos especiais. Apesar de seu lado aventura estar presente em boa parte do tempo, há uma certa ousadia na trama e eles exploram satisfatoriamente os dramas pessoais dos protagonistas. No maior estilo ‘’grandes poderes trazem grandes responsabilidades’’, nós vamos conhecendo cada um deles e a meu ver foi um grande acerto da história ter humanizado esses personagens. Tudo bem que a gente espera aquela ação descerebrada que marcou a franquia, mas pensando no público no qual ele é destinado – os adolescentes – é bom ver que eles abordaram essa fase da vida com um ar menos fantasioso.

É interessante notar que os escolhidos não são pessoas perfeitinhas, cada um tem seu defeito ou seu dilema e a sua mensagem é muito pertinente. É comum ver a galera se distanciando dos laços afetivos nos dias de hoje e todo esse incentivo ao diálogo é bem legal de se ver. Essa mensagem não está inserida na trama de uma maneira aleatória, há um motivo para eles precisarem achar essa união, afinal, eles não se conhecem e isso nos ajuda a criar uma empatia com aqueles personagens. Por sinal, o elenco demonstrou um entrosamento bacana e aumentou bastante a criação de sua atmosfera. Isso sem falar que toda a parte de aventura do filme tem um ar muito gostoso e dinâmico, nós vamos descobrindo as informações junto daquela galerinha, somando demais na maneira como nos envolvemos em todos os sentidos.

Estamos vendo uma nova visão sobre o universo dos Power Rangers, bem mais pé no chão e isso me surpreendeu, principalmente por ter sido de uma maneira que não perdeu a sua essência. O drama e a aventura são dosados de uma maneira muito boa e rola aquela apreensão para o momento que todos nós esperamos: A HORA DE MORFAR! O diretor Dean Israelite (Projeto Almanaque) soube como construir a trama de uma maneira que tudo acontecesse gradualmente e que nos deixasse apreensivo. Sua atmosfera sombria, mas ao mesmo tempo divertida, é bastante eficiente e o saldo da produção é muito positivo. Principalmente levando em consideração que ele levanta, mesmo que sucintamente, temas como autismo e sexualidade. Quem poderia prever?

Porém, Power Rangers tem seus pequenos defeitos. Por ter uma abordagem mais pessoal, eu não fiquei empolgado da maneira que eu achei que ficaria lá para o final. Claro que tem a questão da expectativa e tudo mais, mas mesmo com seu clima gostoso, eu esperava mais emoção, saca? Queria mais daquela insanidade da série, aquela coisa desenfreada que faz a gente voltar a ser criança. Isso talvez seja pelo fato de Rita Repulsa não ser tão épica quanto poderia, sendo apenas uma mulher má. Esperava uma coisa mais debochada, mais vilanesca e ameaçadora. Apesar da boa atuação de Elizabeth Banks (A Escolha Perfeita), faltou intensidade nesse conflito e por mais que tenha sido divertidão, o embate entre ela os Rangers podia ter sido muito mais ousado e até arrisco dizer, sem se levar tão a sério. Isso não diminui a qualidade do filme, mas a nostalgia bate mais forte e no fundo no fundo eu esperava isso. Queria gritar ”MASTODONTE! TRICERATOPS!” mas não aconteceu 🙁

Power Rangers – O Filme é uma produção bem bacana e surpreendente em sua proposta. Diferente do que foi vendido, estamos diante de uma história sobre seres humanos que não se sentem (e não são!) nada especiais e descobrem um infinito de possibilidades. Mesmo que bem distante do que estamos acostumados, creio que sua proposta foi atingida, tornando este, sem dúvidas, uma opção divertida para ver no cinema, com personagens carismáticos e uma trama bem envolvente. Essa é uma nova visão dos Rangers que tem tudo para agradar a galera, mesmo que tenha um ou outro detalhe que pudesse ter sido mais intenso. No mais, é um filme inofensivo que deve fazer a alegria de todo mundo que procura diversão, deixando a reflexão de que todos nós podemos ser um pouco Power Rangers, basta escutar, entender e aprender… juntos somos mais! GO GO POWER RANGERS!

ps: há uma cena pós créditos 😉

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

>