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Quando as Luzes se Apagam (Crítica)

Dizem que o cinema está passando por uma fase de falta de criatividade. Realmente, não dá para negar que grande parte das produções de hoje são baseadas ou adaptadas de algum outro veículo artístico e no caso do filme Quando as Luzes se Apagam, a inspiração veio de um curta metragem que fez muito sucesso no YouTube. Simples e utilizando poucos recursos, o vídeo de apenas 02 minutos e 30 segundos conseguiu meter mais medo que muita produção gigantesca e despertou o interesse dos grandes estúdios em fazer uma versão maior. A Warner Bros saiu na frente e convidou David Sandberg, também criador do curta, para comandar esta ampliação de sua história, afinal, se ele fez milagre com um baixo orçamento, imagina o que seria capaz de fazer com 5 milhões de dólares, não é mesmo?

Teresa Palmer

Na trama somos apresentados a Martin, um garotinho que acabou de perder seu pai e mora com a mãe que aparentemente é meio lelé da cuca. O problema é que junto da moça vive uma entidade que se manifesta apenas quando as luzes se apagam, o que leva o coitado a não conseguir mais pregar os olhos para dormir. Quando sua irmã mais velha, Becca, entra na jogada e começa a investigar essa alma penada que vive do lado de sua mãe, ela desperta a fúria do fantasminha, que é capaz de tudo para afastar qualquer um do lado de sua querida amiga. SANGUE DE JESUS TEM PODER!

Diana

Para nós que pegamos ônibus todos os dias, 5 milhões é muita coisa, mas quando falamos de uma produção cinematográfica, esse valor chega a ser considerado risível. Seguindo este fato, Quando as Luzes se Apagam é considerado uma produção de baixíssimo orçamento. É um filme simples, com poucos atores, pouca ambientação e está ai o seu maior acerto, digo isso pois o diretor conseguiu explorar muito bem sua ideia e entregou uma história envolvente, divertida e que nos mantem empolgado. Não estamos assistindo um filme de terror onde há aquela apelação com sangue e sustos contínuos para manter o interesse do espectador, o que nos prende aqui é justamente a sua simplicidade e a maneira como o clima foi construído. Cenários pequenos, pouca luz, mistérios a seres descobertos e um perigo iminente que pode surtar a qualquer momento. O fato da vilã se manifestar apenas na escuridão rende momentos bem legais e mesmo com um ou outro clichê, ainda há a sensação de estarmos vendo uma trama nova e acima de tudo, criativa.

Lights Out

Outro grande acerto do filme é a sua curta duração, afinal, não há enchimento de linguiça e a trama vai direto ao ponto, não dando oportunidade para sentirmos tédio e mesmo assim nos afeiçoando aos personagens, que mesmo com o pouco tempo, tem um drama familiar bem construído e cria uma empatia com o espectador. Também não tem esse lance de mocinha burra e indefesa, criancinha histérica, todos eles contribuem de forma significante para a coisa toda e deixam a trama bem mais legal; o dinamismo dela é interessante, descobrir o mistério juntos dos protagonistas nos coloca dentro da história e quando o bicho pega de verdade é diversão pura. Há cenas tensas, perseguições, sustos e uma vilã convincente que consegue meter medo sim, ela tem um visual assustador e entrega bons momentos durante o filme, principalmente nos minutos finais, onde os personagens se veem em uma situação que.. bem.. melhor não estragar a surpresa 😉

Diana 2

Quando as Luzes se Apagam é um filme muito legal e divertido, tem uma trama interessante e todos os elementos que nós procuramos quando falamos de terror. Mesmo com sua simplicidade, estamos diante de uma produção muito eficiente em seu propósito de divertir e assustar. Não é um filme onde você vai ver gente morrendo, tripas voando, DEFINITIVAMENTE NÃO, aqui a pegada é outra e consegue resgatar aquela velha sensação de pensar duas vezes antes de apagar as luzes para dormir. Se ele será lembrando pelas futuras gerações eu não sei dizer, mas garanto que é muito acima da média das produções lançadas ultimamente e com certeza é uma ótima opção de entretenimento para assistir com a galera. Ele te mantem preso desde o início e no final de tudo fica a prova de que o terror ainda tem salvação, basta apenas um pouquinho de boa vontade e criatividade. Mantenha-se na luz e divirta-se 😉

estrelas-09-12


Quer assistir ao curta metragem? É só clicar aqui 🙂



Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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