Rainha de Katwe (Crítica)

Chorei. Chorei muito. Do começo ao fim. Preciso começar esse texto dizendo isso. Sim, Rainha de Katwe é cheio de clichês do tipo você tem que se esforçar muito para conseguir e nunca desistir dos seus sonhos porque tudo é possível, afinal de contas é Disney e tem essa pegada, mas não estraga em nada a sensibilidade e história do filme.

Rainha de Katwe conta a história real de Phiona Mutesi, uma menina moradora de Uganda, na África, na favela de Katwe, que se descobre uma excelente jogadora de xadrez e que faz de tudo para sair da vida de pobreza e miséria que leva para alcançar seus sonhos.

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Mas não é só a história de Phiona que leva destaque no filme, é a história de toda sua família, sua mãe solteira criando sozinho 4 filhos, sem nenhum dinheiro e assistência, seus irmãos mais velhos e mais novos que assim como ela, tiveram que largar a escola para trabalhar e ter o que comer, que são analfabetos, moram em um barraco e quase nunca tem muito o que comer, a história de seus amigos, milhares de crianças que moram nas favelas da África sem nenhuma oportunidade ou escola, a história de uma favela toda que vive dessa mesma maneira, na miséria, sem energia ou água encanada, em meio ao lixo e pobreza, onde meninas e mulher muitas vezes tem que se vender para tentar alguma chance de mudar de vida.

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Phiona e seu irmão estão na rua trabalhando quando conhecem o treinador que está ensinando crianças da comunidade como jogar xadrez, os irmãos começam a participar das aulas e Phiona rapidamente se destaca ganhando de todos com quem joga. O treinador então percebe o potencial da menina e começa a leva-la para competições em escolas e torneios, e da mesma maneira ela vai sempre ganhando de todo mundo e conquistando cada vez mais, apoio e reconhecimento até que consegue mudar completamente sua vida.

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O mais interessante do filme é o desenvolvimento que os personagens vão tomando. A mãe das crianças é dura e inflexível no começo sobre todos terem que trabalhar e como jogar xadrez não pode mudar nada para eles, mas aos poucos vai entendendo que seus filhos têm sim muitas qualidades, podem estudar, crescer, trabalhar e serem pessoas completas com chances melhores. O treinador que dedica a vida para essas crianças, sacrificando muitas vezes até a sua própria família, fazendo escolhas que ajudam a melhorar as crianças e a comunidade ao invés de sua própria. Especialmente Phiona, que quando experimenta um outro tipo de vida e realidade nos campeonatos de xadrez, viajando, conhecendo conforto, comendo melhor, e tudo que nunca teve, já não consegue mais voltar para sua casa onde dorme no chão e não tem nenhuma estrutura ou comida e se conformar com isso, então começa a traçar um plano para mudar sua vida, assim como aprendeu a fazer no xadrez.

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A fotografia é incrível, direção de arte impecável, os atores David Oyelowo e Lupita Nyong’o (ganhadora do Oscar de atriz coadjuvante por ’12 anos de Escravidão’) dão um show à parte. A trilha sonora de Alicia Keys também é muito bacana. Enfim, acredito que existem muitos motivos para todo mundo ficar ligado nesse filme!

Rainha de Katwe estreia no Brasil em 24 de novembro 😉

4 estrelas

Alessandra Ganan

Nasceu e cresceu em São Paulo e hoje é graduada em Letras, Artes Cênicas e Audiovisual, mas quando criança só brincava de ser outras pessoas. Assistiu sua primeira série e filme “de adulto” aos 11 anos e de lá para cá nunca mais parou. Apesar de ariana, é uma pessoa legal.