(Resenha) Origem – Dan Brown

Mundialmente conhecido pelo blockbuster de 2003 – O Código Da Vinci, com mais de 80 milhões de cópias vendidas -, Dan Brown tem como marca registrada teorias de conspiração, sociedades secretas, simbolismo, perseguições insanas que cruzam todo um país, vilões misteriosos com soldados obstinados, mas principalmente suas tramas são abarrotadas de informações e fatos reais! E claro, com Origem, não é nada diferente… Embora seja totalmente diferente, rs.

Anjos e Demônios – predecessor de O Código Da Vinci –  foi o primeiro livro “de verdade” que li na vida, presente de uma tia, me surpreendeu com uma narrativa frenética muito semelhante a dos filmes de ação e aventura, mas ainda mais pelos temas abordados. O Iluminismo e a batalha – aparentemente eterna – entre Ciência e religião, o fanatismo e descobertas científicas revolucionárias (e as vezes até perigosas), e de certa forma Origem se colocou em mim como uma continuação indireta do livro de 11 anos atrás, com temáticas não muito diferentes, mas com uma virada de 180º graus na escolha do ângulo narrativo.

A primeira vista, Origem não parece se diferenciar muito dos outros romances do autor, seja do ponto de vista temático ou narrativo, Dan Brown segue com uma trama eletrizante, dispersa em vários pontos de vista, com enigmas e diversas situações que levam seu protagonista, Robert Langdon, a mostrar todo seu conhecimento em história, arte, literatura, simbologia e até ciência.

AH MAS!

Por volta da metade do livro, os acontecimentos passam a ficar “nebulosos”, fugindo um pouco do “modus operandi” de Dan Brown, de convergir todas as suas personagens e linhas narrativas. A partir daqui, o autor parece “brincar” com sua própria fórmula para propositalmente confundir o leitor, deixando-o completamente despreparado para as suas últimas e sensacionais 100 páginas.

Dan Brown demonstra sua habilidade em ambientar o período de sua história nos pequenos detalhes, seja mostrando Langdon incerto e até contrariado com o status de Arte de algumas obras (Pós)Modernas que encontra no museu Guggenheim ou se utilizando de tecnologias comuns para avançar sua narrativa, como vídeos tocados em smartphones. Brown vai além se utilizando de capítulos dedicados a notícias online, “debates” sobre fake news e até a mais atual que nunca dicotomia política entre liberais e conservadores, usando como plano de fundo uma Espanha de passado extremamente religioso e presente incerto. É impossível sair de Origem sem sentir o quão atual ele é.

Apesar de me decepcionar com Símbolo Perdido e ter ficado pouco impressionado com Inferno, Origem foi um livro que me fez sentir o impacto Nicolly. Dan Brown organizou tantos fatos de uma forma tão inteligente e simples que transcende sua fórmula e torna sua conclusão simples tão bombástica quanto a de O Código Da Vinci (pessoalmente, considero ainda mais bombástica que a do clássico). Guardarei para sempre os capítulos 96 e 99, como sinais da incrível habilidade desse autor.

P.SFique com essa dica antes de iniciar a leitura. Mantenha em mente que tudo mencionado no livro é real. A Igreja Sagrada Família, O Vale dos Caídos e sua Catedral interna, O Palácio Real, o Guggenheim de Bilbao, A Casa Mirà, O Centro de Supercomputação de Barcelona, as obras de arte e principalmente as teorias científicas, supercomputadores e computadores quânticos, o carro que se dirige sozinho Tesla Model X e até o tutorial sobre como desbloquear um iPhone sem a senha!

Silas Mendes

22 anos. ex-cinéfilo, deixou o cinema para viver com a TV e suas várias séries, mas mantém uma relação sadia com a sétima arte, com quem ainda divide laços afetivos (filmes favoritos). Música, livros, quadrinhos (DC Comics), escrita e ansiedade… cansado na maior parte do tempo.