(Resenha) “Vocação Para o Mal” – Robert Galbraith

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Escrito sobre o pseudônimo Robert Galbraith, J.K Rowling lançou em 2016 o terceiro livro da saga do Detetive Cormoran Strike. Seguindo o estilo Agatha Christie e com umas pitadinhas de Sherlock Holmes, essa é uma saga que tem fascinado muita gente por aí. Se o tema já não me chama a atenção por si só, saber que tudo é escrito pelas mãos de um arcanjo, só incentiva mais ainda a cair de cabeça nessas histórias violentas, sujas e com dois protagonistas extremamente carismáticos.

Depois de resolver dois grandes casos da mídia, o nome de Cormoran Strike caiu na boca do povo. Levando uma pacata vida profissional ao lado da sua (maravilhosa) assistente Robin Ellacott, que está prestes a se casar, tudo isso muda quando a moça recebe pelo correio uma perna decepada. Cormoran, mais rápido que um relâmpago, associa o crime a três pessoas do seu passado e vai fazer o possível para provar que sua intuição está certa. Só que os corpos estão acumulando por aí e a mídia tá doida para deixá-lo de fora deste caso.

Seguindo a linha série dos livros anteriores, Vocação Para o Mal tem narrativamente um grande avanço; nós conhecemos mais de Robin e seu passado, assim como o de Cormoran. A química entre os dois cresceu bastante e é muito legal de acompanhar esse clima de ‘’broderagem’’ dos dois, assim como também é ótimo vermos uma história sobre um detetive veterano e carrancudo que se junta a uma jovem inexperiente e sonhadora, com vontade de fazer justiça. Cormoran e Robin são uma bela dupla, J.K Row.. ops, Robert Galbraith, já provou que é muito bom em fazer personagens terem uma amizade extremamente crível. Se você leu aqueeeela outra saga famosíssima, sabe do que estou falando e aqui isso também acontece.

O ponto principal que Vocação Para o Mal me ganhou foi o fato da Robin ter um grande destaque, ela deixou de ser apenas a secretária e se já conhecíamos um pouco sobre sua vida pessoal, agora sabemos muito mais; isso calha muito bem com a trama que fala sobre assassinato e violência contra mulheres. Dessa vez o livro foi mais da Robin do que do Cormoran e esse equilíbrio deu bastante realidade na trama, mesmo que a sua essência seja propositalmente romantizada com aquele climão sujo de histórias investigativas clássicas.

Apesar de adorar as histórias do Detetive Cormoran Strike e todo esse envolvimento com a vida dos protagonistas que Robert Galbraith faz com maestria, os três capítulos até agora sofrem de um pequeno defeito. Eu não me senti parte dessa investigação, tipo, acompanhei todas as pistas e me amarrei no suspense criado, mas no final isso não faz diferença, já que do nada Cormoran descobre tudo sem nenhum dinamismo. Espero que o autor aperfeiçoe esse detalhe, que mesmo não fazendo tanta diferença na história em si, poderia agregar demais em como imergimos nos próximos mistérios. O suspense de suas histórias existe e todo o seu desenvolvimento é escrito impecavelmente, mas falta um pouquinho, bem pouquinho de dinâmica e intensidade na sua conclusão.

O meu amor pela Robin só intensificou neste livro e a história me envolveu bastante, quando não estava com ele aberto só ficava pensando no que aconteceria no próximo capítulo. O suspense fluiu bastante e adoro toda essa narrativa investigativa, com interrogatórios, suspeitos e pistas, só que sua conclusão deixou MUITO a desejar e infelizmente tirou vários pontos no final de tudo. Gostei bastante da história como um todo, mas queria que o clímax fizesse jus a toda a expectativa criada e isso ficou bem longe de acontecer. Aguardo ansiosamente pelo próximo livro, afinal, Robert Galbraith é um amigo muito próximo de uma pessoa que já mostrou para o mundo todo que jamais deve ser subestimada: J.K Rowling 😉

ps: O livro tem uma subtrama bem legal e interessante sobre amputações, que certamente merece  uma pesquisadinha depois.

 

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Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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