”Riverdale” é carismática com seu elenco e sem sentido quanto as suas revelações.

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Baseando-se nos personagens de Archie Comics, um clássico dos quadrinhos americanos, Riverdale toma suas liberdades para dar a repaginada da CW nestes e incorporar um twist subversivo nas, na maioria das vezes leves, histórias adolescentes. Trazendo um roteiro, pouco incoerente, de mistério e assassinato, atores que incorporam o estilo hot de outras produções do canal (Supergirl, Flash, The 100, Supernatural) e um design de produção que mescla ideias fantasiosas com cores e enquadramentos a uma realidade exagerada, “Riverdale” representa o melhor e o pior de dois mundos, com verdade e crueza sendo exposta em tela, mas ultrapassando os limites do exagero pelo estilo para o exagero pelo exagero, e escrevendo clichês adolescentes representativos, mas ainda assim oscilantes em suas personalidades, faltando com uma linha de raciocínio que permita encaixar aqueles estereótipos em pessoas reais.

Riverdale narra a história de um grupo de adolescentes do ensino médio e seus pais quando um assassinato ocorre dentro da família mais prestigiada do vilarejo. E enquanto a polícia e o grupo de amigos tenta desvendar os mistérios deixados pela morte de Jason Blossom, a série aproveita para discutir relacionamentos familiares, romance e conversar sobre o mal que se esconde mesmo nos lugares que podem parecer os mais inocentes. Riverdale é uma crônica de cidade pequena turbinada por alucinação. Combo esse que cabe perfeitamente em um lugar na lista de guilty pleasures da tv.

O elemento que faz da série um evento com personalidade e se mantêm constante, ajudando a contar a história, é seu visual. Desde o começo e sua primeira cena, Riverdale conquista o olhar pela estética que abusa das cores primárias, ângulos retos, figurino característico e uma forma de filmar que não ridiculariza o slow motion ou os planos detalhes, mas que sabe ver nestes uma forma de cativar junto da montagem, sem mostrar a beleza somente pela exposição.

Infelizmente o maior defeito está na incongruência entre as emoções que a série procura retratar. No início Riverdale parece investir nas características distintas e a relação “preto no branco” entre seus protagonistas. Utilizando Betty e Veronica para exemplificar, em uma cena Betty é servida com um milk-shake tradicional de baunilha, isso já podendo dizer muito sobre sua personalidade, sendo a garota perfeita, doce e delicada, enquanto Veronica é servida com um milk-shake de chocolate, mais atrevida, decidida, sabendo se impor em qualquer situação – entregando também algumas das melhores one lines da temporada. E se a forma como os episódios são escritos concordassem com essas personalidades pré-estabelecidas “Riverdale” faria muito mais sentido, mas a maneira como o preto e o branco transitam sem nuances entre cada indivíduo, incluindo os pais dos adolescentes, acaba entregando um material final que entretém por ser instigante, mas não exatamente por manter qualidade.

Dessa maneira, a primeira temporada de Riverdale apresenta novas versões de personagens clássicos com um aprimoramento para os demográficos de 18-34 do canal americano CW, se diferenciando ao mesmo tempo por suas qualidades e defeitos, entregando um drama adolescente conturbado em sua escrita, carismático com seu elenco e sem sentido quanto as suas revelações.

Vinícius Soares
Colaborador | Também do autor.

Cinéfilo desde que descobriu o que significava cinema e o valor da Sétima Arte, viciado em séries em um nível saudável, desenha ocasionalmente e escreve mais do que come. Sonha em ser roteirista e jornalista e com certeza deseja ser um pouco mais alto