Rogue One: Uma História Star Wars (Crítica)

Browse By

Esqueça “Uma Nova Esperança” ou até mesmo “O Despertar da Força”, aqui com “Rogue One: Uma História Star Wars” Gareth Edwards entrega um filme de guerra, que tem como base o fan service de início ao fim, mas que carrega inspirações em “O Resgate do Soldado Ryan” com o senso de companheirismo do novo “Sete Homens e um Destino” em uma atmosfera de Ópera Espacial e a Força como guia nesta jornada. Talvez ainda não seja o filme mais sombrio da saga Star Wars, mas sem sombra de dúvida é uma história que vale a pena ser contada mesmo após tantos anos da estreia do primeiro filme.

Aqui, Jyn Erso (Felicity Jones) é a responsável por introduzir o espectador a este filme derivado. A história parte de sua infância, quando seu pai (Mads Mikkelsen) é levado pelo império para colaborar com seus planos. O ato de sacrifício do homem por sua causa o deixa mal visto pela galáxia e Jyn vive em fuga. Após anos a garota é recrutada pela Aliança onde é testada e relutante até aceitar sua missão e é quando se forma um grupo de rebeldes que a trama tem seu pontapé inicial.

A maior habilidade do diretor neste filme é a reapresentação de um universo já conhecido por muitos com senso de novidade e a apresentação formal àqueles que nunca haviam assistido algum dos filmes anteriores. “Rogue One” tem peso na figura de suas maiores naves ou monstros e belas paisagens que evocam os dois sóis de Tatooine ou cenários reais de guerra e ai está outro elemento que ajuda a dar vida a esse prelúdio. A construção de um universo pré “Uma Nova Esperança” é incrível: a música de início lembra a melodia crescente de John Williams da trilogia original, mas com o tempo some e dá lugar a sons marciais que exalam o clima de um ambiente de batalha, assim como no final o novo se torna o velho com o plot e a música destinado ao episódio IV.

Infelizmente com a criação de personagens o filme acerta mais em conceito do que em personalidade. São diversos acontecimentos dramáticos que quebram essas pessoas e o roteiro não abrange muito bem essa área mais tridimensional de cada protagonista. Jyn Erso é uma heroína que pede por um incentivo maior, você sabe o que a personagem deve sentir, mas nunca fica claro, Cassian Andor é um capitão que tem conflitos pessoais não esclarecidos, Saw Gerrera é um extremista… e ponto, Baze Malbus e Chirrut Imwe não passam de bons guerreiros e Bodhi Rook é um piloto vítima do acaso que fica traumatizado, mas só por duas cenas. São verdadeiros dramas de guerra e histórias de vida pesadas em uma galáxia que se encontra em estado crítico, mas o foco maior parece ficar no que vem pela frente e não o que acontece agora.

Os trabalhos que mais se podem apreciar durante os 120 minutos de filme é com certeza o de Greig Fraser e David Crossman. A fotografia e figurino de “Rogue One” andam lado a lado com a direção para deixar a guerra mais vívida em tela. A edição com cortes rápidos e intercalando cenas que acontecem fora e dentro do núcleo principal ajudam a construir tensão e momentos com maior significado. Em seu final, o filme é de certa forma corajoso e abraça seu melhor destino e essência que é a guerra.

Assim, o filme de Gareth Edwards acaba aceitando suas raízes de fan service, sendo apenas uma história modesta e de qualidade para aquecer o coração do fã. Enquanto os episódios VII, VIII e IX seguem com a saga da família Skywalker, os prelúdios que vem a seguir são uma boa maneira de manter os fãs ligados a este universo no intervalo de um ano entre um filme e outro.

Vinícius Soares
Colaborador | Também do autor.

Cinéfilo desde que descobriu o que significava cinema e o valor da Sétima Arte, viciado em séries em um nível saudável, desenha ocasionalmente e escreve mais do que come. Sonha em ser roteirista e jornalista e com certeza deseja ser um pouco mais alto

>