A segunda temporada de ”Sense8” é uma pausa para respirar e celebrar.

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Dois anos após a estreia de sua primeira temporada, Sense8, que trouxe de volta as irmãs Wachowski em uma mídia diferente após distúrbios no cinema, retornou com mais dez episódios após seu Especial de Natal para elevar o conteúdo complicado e interessante de seu primeiro ano, com alguns maiores tropeços do que avanços. Com foco maior no desenrolar da vida após o entendimento de seu estado conectado, este segundo ano foca muito em explicações e ameaça perder sua fluidez que mantinha interesse e instigava perguntas no início, sendo construída ao redor de pequenos momentos e sequências empolgantes ao invés de um arco maior, que parece ficar perdido entre tantos acontecimentos grandiosos.

Iniciando com um chute na porta – já que a temporada conta com seu Especial como episódio um -, Sense8 conseguiu captar toda sua essência e emoção em um único episódio, mas dai para frente oscila entre humor, seriedade e ficção científica com um timing menos sutil e elegante e sim que destoa, sendo complementado por musicalidade e punchlines exaustivas. No entanto, mesmo que pareçam ser muitos defeitos logo de cara, estes não são suficientes para balar a estrutura consolidada por seus personagens carismáticos e seu formato de edição e contação de história intrigante que só tem elogios à trazer. A série continua sendo uma aula de fotografia, direção e edição. As cores vivas, os contrastes em ambientes, a iluminação que encorpa uma cena, a movimentação de câmera que permite mudanças de personagem e locação sem estranhar os cortes, tudo está em seu melhor e ainda mais ousado.

Assim, o que Sense8 conseguiu fazer em sua primeira temporada é executado novamente, porém com menos entusiasmo. Caso o objetivo de conectar-se com pessoas por todo o mundo não tenha te cativado da primeira vez, esta segunda temporada não vai fazer muito por você, mas se a história, os sentimentos e pensamentos de Lito, Nomi, Sun, Riley, Will, Wolfgang, Capheus e Kala ainda são interessantes e frescos em sua mente, não existe razão para não encarar essas onze horas. Afinal, dois anos de espera valem a pena quando a direção faz poesia através de música e montagem em slow motion. A segunda temporada de Sense8 é uma pausa para respirar e celebrar.

Vinícius Soares
Colaborador | Também do autor.

Cinéfilo desde que descobriu o que significava cinema e o valor da Sétima Arte, viciado em séries em um nível saudável, desenha ocasionalmente e escreve mais do que come. Sonha em ser roteirista e jornalista e com certeza deseja ser um pouco mais alto

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