Sete Minutos Depois da Meia Noite (Crítica)

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Não se deixe enganar pela sinopse de Sete Minutos Depois da Meia Noite, que apesar de aparentar ser uma história infantil com um discreto toque de terror, esconde uma delicadeza e sensibilidade que não podíamos prever. Lembro que quando li o livro no qual ele é baseado, fiquei alguns minutos parado e absorvendo tudo o que tinha lido. Cheio de metáforas e lições pessoais importantíssimas para o nosso crescimento como ser humano, foi realmente uma história que me ganhou por um ponto que acho que deve ser levado em muita consideração, a surpresa.

Não que ele seja surpreendente a um nível ‘O Sexto Sentido’, mas fiquei chocado justamente por não esperar que ele fosse mexer comigo e que me levaria a refletir tanto, ao mesmo tempo em que me diverti bastante. Resumindo, fiquei felizão quando recebi a notícia de que uma adaptação estava sendo pré assada e mais feliz ainda por ela ser super fiel não só na sua montagem, mas também em sua essência 😉

Estrelado pelo novato Lewis MacDougall e contando com a presença de Felicity Jones (Rogue One) e Sigourney Weaver (Alien), nós acompanhamos a história de Connor, um menino comum que está lidando com a doença da mãe e enfrentando problemas na escola. Eis que em um belo dia, sete minutos depois da meia noite, ele avista de sua janela uma árvore vindo em sua direção. Ela é na verdade um monstro que veio para contar três histórias e pedir uma quarta em retribuição, sempre aparecendo nesse horário e levando o garoto a confrontar não só a sua imaginação, mas também os seus sentimentos.

Dublado por Liam Neeson, o monstrão pode até assustar, mas ele é o responsável por toda essa magia em torno do filme e também por servir como uma mensagem importantíssima, que é a de ‘enfrentar os seus monstros’. Reparem como só nessa ideia ele já mostra que há muito mais por trás da trama toda, somado a direção impecável de J. A. Bayona (O Impossível), que só ajudou a intensificar tudo o que o filme tinha a dizer; principalmente levando em conta que apesar de ser da galera do bem, o bicho é bravo, grosso, estúpido e isso dá todo um clima de urgência na trama, que claro, é resultado de todo o talento do diretor, que explorou muito bem toda essa psicologia que está (quase) totalmente invisível aos nossos olhos.

As cores, a maneira como as câmeras se movem, a animação durante as histórias do Monstro, é tudo muito bem feito, delicado e de uma beleza incrível que só acrescentam na maneira como assistimos ao filme. A atuação de Lewis MacDougall é muito boa e você fica afeiçoado ao personagem e seus dilemas, é como se pudéssemos nos ver no garoto, saca? Sete Minutos Depois da Meia Noite se destaca por algo muito lindo quando vemos o cinema como arte, nos transportar para dentro de uma ótima história.

Sete Minutos Depois da Meia Noite é realmente um filme muito bonito, apesar de triste. Com assuntos delicados tratados de uma maneira de certa forma, mágica, ele é também uma aventura muito gostosa de assistir e vale muito a pena ser visto com a mente bem aberta; mas também não é daquelas filmes que você vai passar meses sem entender, ok? Como disse, há muito em suas entrelinhas e acho que ele é tipo aqueles livros de pintar florzinha e folhinha, você começa no preto e branco e termina em uma obra cheia de detalhes. No caso desta aqui, sem borrão nenhum.

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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