Supermax (1ª Temporada)

De uns tempos para cá, é impressionante como as séries brasileiras vem sofrendo uma grande mudança. Seja na sua linguagem ou na sua produção, elas estão cada vez mais elaboradas e os seus idealizadores usam e abusam de duas coisas que acredito serem necessárias nesse tipo de narrativa: ousadia e criatividade. A nova empreitada da Globo utiliza bastante desses dois artifícios e já pode ser considerada um marco nesta nova fase, afinal, não é todo dia que séries de terror nacionais são produzidas e exibidas para o grande público, não é mesmo?

Na história acompanhamos 12 pessoas que vão participar de um reality show e são confinadas em um presídio de segurança máxima no meio da floresta amazônica. Todos eles tem algo em comum e se quiserem ganhar o prêmio de 2 milhões de reais, terão que descobrir seus segredos e participar de provas que testarão seus limites físicos e psicológicos. Porém, acontece uma merda das grandes e aparentemente algo (ou seria alguém?) não pretende deixá-los sair de lá com vida.

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Partindo de uma premissa que é muito popular aqui no Brasil, reality shows, e também de um gênero incomum de se ver na teledramaturgia, Supermax tem todos os elementos necessários para ser um sucesso. Nos primeiros episódios há todo um climão de BBB no ar e com uma história envolvente e LOTADA de mistérios, essa não é somente uma série que entretém, instiga e assusta, ela deixa claro o amadurecimento na forma de se fazer TV aqui na terra do É O Tchan, isso é algo a ser extremamente reconhecido. Ela não deve em nada para séries gringas e em alguns episódios eu realmente esqueci que era uma produção nacional, há coisas no desenrolar da trama que vão muito além do que estamos acostumados e isso é maravilhosamente chocante.

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Além do elenco entrosado (#TeamCleoPires) e da produção impecável, seu roteiro é meticulosamente pensado para estabelecer um clima de tensão, ao meu ver este é o maior acerto de Supermax. Ela não ganha o espectador somente pela inovação e qualidade técnica, mas também pela sensação de curiosidade e terror que nos causa, fazendo algo que uma série tem como obrigação nos dias atuais: VICIAR. A cada final de capítulo é um tiro de escopeta que a gente toma no meio da barriga, isso eleva muito seu nível de entretenimento, seus ganchos são ótimos e nos deixam bem ansiosos pelo próximo episódio. Conforme vai se aproximando do final, ela vai ficando cada vez mais eletrizante, louca e nos deixa com a deliciosa e inevitável sensação de ‘que p**** é essa?’.

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A única coisa que realmente não gostei em Supermax foi eles colocarem Pedro Bial como apresentador do programa e utilizam de termos do próprio BBB para definir as coisas. Acredito que por ser focado em um reality tão original e com regras tão tensas, utilizar desses bordões conhecidos da galera tira um pouco da identidade que a série poderia ter a mais. Claro que isso não influencia em nada em seu contexto geral, mas se tratando de uma trama tão criativa acredito que eles poderiam ter ficado sem essa.

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Supermax fugiu do óbvio em todos os sentidos e é inovadora para a TV nacional, não há dúvida alguma disso. Sua história é lotada de suspense e tudo dentro dela funciona de uma forma coesa e eficiente no propósito de divertir a galera, acredito que ela vá até bem mais além do que eu esperava, me despertando diversas sensações e me fazendo pensar que o Brasil tem sim potencial para fazer terror, basta mirar no alvo certo e não ter medo de ousar. Infelizmente ainda não tivemos acesso ao capítulo final, mas se ele for à altura dos 11 episódios que foram liberados, teremos algo macabro vindo por aí e eu mal posso esperar. Desculpem o que virá a seguir, mas não dá para segurar: SUPERMAX É FODA! <3

5 estrelas

 

 

Victor Piacenti

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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