“The Book of Henry” é um filme ousado e isso talvez não agrade a todos.

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Dirigido por Colin Trevorrow, que fez muito dinheiro com Jurassic World, The Book of Henry decepcionou os críticos na sua estreia nos EUA. Alegando uma história confusa, a galera detonou o filme e a produção foi um certo fracasso de bilheterias, o que segundo os boatos, tirou Colin da direção do Episódio 9 de Star Wars.  Sua nova produção segue sem ao menos uma previsão de estreia aqui no berço da dança da cordinha e o que teria dado tanto errado, já que tudo parecia tão certo? Talvez eu tenha achado uma resposta e vou contar para vocês a seguir.

The Book of Henry conta a história de um garoto chamado…  Henry. Ele tem 11 anos e é dono de uma bondade enorme e uma inteligência extraordinária para a sua idade, junto de seu irmão e fiel escudeiro, Peter, e também sua mãe moderninha, ele vive uma vida de muito estudo e claro, aventuras. É aí que entra Christina – a menina que mora na casa ao lado –  e o garoto percebe que ela está sofrendo maus tratos do padrasto. Inconformado com a situação, Henry resolve bolar um plano para salvar sua amiga e assim também poder fazer justiça. Porém, a vida trata de dar uma rasteira, fazendo com que os planos do garoto tomem um novo rumo, e ele precisará contar com a ajuda de toda a sua família para que tudo saia do jeito certo.

Estrelado pela dona da porra toda maravilhosa Naomi Watts e dois jovens atores donos de um talento inegável, Jaeden Lieberher (IT – A Coisa) e Jacob Tremblay (O Quarto de Jack), The Book of Henry não é um filme para se passar batido no meio de tantas opções. Além deste senhor elenco, ele chama a atenção também por sua história, que tem um apelo muito grande para aquela boa e velha academia no sofá. Os personagens são bem desenhados, a trama envolve, há uma trilha sonora pontual e uma fotografia bonita, assim como uma reviravolta muito grande que confesso ter me deixado no chão. Estamos diante de um filme que brinca com as expectativas de quem assiste, deixando no final de tudo um turbilhão de pensamentos, tanto para o bem, quanto para o mal.

Eu realmente não esperava toda a mudança no clima da história. Foi uma jogada interessante e bem ousada, dá um ar imprevisível na trama e principalmente, demonstra toda a ousadia de Colin Trevorrow (Jurassic World) em passear por diversos gêneros e fazer um filme com bastante personalidade. Mas é justamente aí que está o problema, essa intenção de “multi gêneros” é maravilhosa e conta com um elenco impecável dando a cara a tapa, mas não acho que ela foi usada da maneira adequada, talvez um pouquinho mais de intensidade e desenvolvimento com o vilão (?)  fizesse a diferença. A gente sabe que ali existe um conflito, mas ele nunca é mostrado, talvez se fosse feito de uma maneira contrária, o final fosse mais eletrizante e suas lições mais impactantes.

Nós passamos pela aventura, pelo drama e pelo suspense, mas só temos um tiquinho de cada um, fazendo com que The Book of Henry seja bem intencionado, porém muito rápido em sua proposta para comprar de fato quem assiste. Parece que não dá tempo para que a gente sinta de fato cada uma de suas mensagens, que não são poucas, deixando no final de tudo um grande questionamento sobre o que ele realmente se tratava. Parece que são duas produções diferentes, que de alguma forma se fundiram e tiveram uma certa química, mas por mais que isso aconteça, parece que ela nunca se deixa crescer, é tipo um bolo que foi tirado um pouco mais cedo do forno.

The Book of Henry fala sobre tantas coisas, que no final de tudo a gente nem sabe sobre o que o filme se trata ao certo. Isso pode ser tanto como um elogio, quanto uma reclamação, já que suas grandes reviravoltas, apesar de surpreender bastante, mudam completamente o tom da história e é aí que ele, literalmente, divide a nossa opinião. Funciona? Sim, porém, um pouquinho mais de intensidade faria uma diferença enorme. Vale pelas atuações incríveis e pelas mensagens que a trama passa, no geral é um passatempo inofensivo e ao menos tenta trazer algum tipo de inovação e ambição na sua narrativa  😉

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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