A segunda parte de ”The Get Down” tem mudanças e melhorias significativas.

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“Forever” está em várias frases desta segunda temporada de The Get Down e resume bem o que é representado na série e seu espírito atemporal para seu público. A busca do inacabável e a ideia e sentimento de que tudo é para sempre e a possiblidade de acabar não existe. Ao mesmo tempo que mostra um pensamento imaturo e despreocupado, também espalha um ideal poético de que o que acontece depois não importa e tudo que você precisa está no momento vivido. The Get Down no seu segundo ano tem mudanças e melhorias significativas de sua primeira temporada, mas se mantem real ao seu propósito, uma façanha que muitos não conseguem.

Ambientada nos anos 70 e início dos anos 80, esta segunda parte, como foi chamada, continua a seguir a jornada para a realização dos sonhos de estrelato de jovens do Bronx, de um casal de apaixonados, vivendo em meio a traficantes, cocaína, música e festa. No papel não há vida melhor para a juventude da época, mas mesmo podendo cair nos clichês do live while we are young, a habilidade para construir drama exagerado, em um ambiente exagerado, em meio a estilos e vidas exageradas o roteiro e as atuações continuam com seus personagens calcados na realidade. Ainda com suas liberdades poéticas, é difícil não acreditar que aquela é Nova Iorque.

E se tratando de poesia, uma parte central da trama, a forma como a história é contada ainda é tão fantástica quanto antes. As transições entre passado e futuro cantadas e rimadas ajudam o ritmo a fluir e a história ser contada resumidamente com estilo. E aqui, com maior ênfase no grafite, seguimentos animados dão personalidade aos episódios e só não destoa do tom pela já citada poesia.

Dessa forma, a segunda parte de The Get Down só melhora e faz o que toda sequência deveria fazer, com maestria: expandir, exagerar e aumentar, mesmo com menos episódios, mas ainda assim permanecer com o mesmo sentimento. Se o terceiro ano da serie agregar ao já extravagante é capaz de vermos girafas, fantasmas, monstros de marshmallow e super-heróis andando por Manhattan.

Vinícius Soares
Colaborador | Também do autor.

Cinéfilo desde que descobriu o que significava cinema e o valor da Sétima Arte, viciado em séries em um nível saudável, desenha ocasionalmente e escreve mais do que come. Sonha em ser roteirista e jornalista e com certeza deseja ser um pouco mais alto

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