Browse By

The Sea of Trees (Crítica)

The Sea of Trees é dirigido por Gus Van Sant, famoso por ter comandado Gênio Indomável, um filme indicado a vários Oscars na época de seu lançamento e super lembrado pela galera. Estrelado por atores de peso, como Matthew McConaughey e Naomi Watts, essa nova produção tem como plano de fundo a floresta Aokigahara no Japão, um local onde as pessoas vão para cometer suicídio. Por abordar um tema polêmico e ter uma equipe competente, rolou uma certa euforia durante sua exibição no Festival de Cannes em 2015; só que algo sinistro aconteceu, a trama foi alvo de vaias (tipo, muitas!) e acabou sendo massacrada pelo júri do evento e também pela crítica especializada, sendo considerado uma mancha no currículo dos envolvidos e o pior da carreira do diretor. A repercussão negativa foi tanta, que o filme estreou um ano depois nos EUA, em circuito limitado, e segue sem previsão de chegada aqui no Brasil.

Matthey McConaughey The Sea of Trees

A trama acompanha Arthur Brennan, um professor que está a caminho da tal floresta e através de flashbacks descobrimos o que o levou a tomar a decisão de dar um fim em sua vida. Após conhecer Takumi, um rapaz que está no local pelo mesmo motivo, Arthur passa por situações que colocarão a prova sua decisão, o fazendo enxergar de outra maneira tudo o que o levou até aquele lugar.

Por ser fascinado por toda a história que permeia Aokigahara, este foi um filme que esperei com bastante ansiedade e curiosidade, queria realmente saber o que tanto incomodou ao pessoal do evento e o porquê de tanto ódio. Acho que consegui sacar um pouco do problema, The Sea of Trees é sim um filme pretensioso, um verdadeiro dramalhão cujo o intuito é fazer chorar; porém, particularmente não encaro isso como um grande defeito, eu gosto desse tipo de produção e a maneira que os assuntos depressão, superação e espiritualidade foram tratados, realmente colaram para mim. Apesar de ser extremamente previsível em seu enredo e não ir muito além na sua ideia, não acho que ele falhe na sua mensagem final, claro que muita coisa poderia ser melhor trabalhada, como a falta de profundidade nas questões que o roteiro levanta, o didatismo exagerado do seu desfecho e também a trilha sonora triste que insiste aparecer a todo momento. Porém, em contrapartida, o diretor consegue explorar bem o sentimento dos personagens e a ambientação sinistra e triste do local, captando a sensação de solidão e nos apresentando crenças e lendas culturais japonesas que casaram bem com o tom melancólico da trama.

Matthey McConaughey e Naomi Watts The Sea of Trees

Ao meu ver, os filmes desse estilo acabam se tornando muito pessoais e creio também  que eles dependem bastante da filosofia de cada um que o assista; não que isso seja um requisito obrigatório para entender The Sea of Trees, mas para sentir a sua essência de uma forma mais… digamos… pura, seria legal o espectador entrar com um pouquinho de mente aberta, afinal, ele fala sobre condições psicológicas e também sobre vida e morte, nos fazendo pensar sobre o quanto conhecemos as pessoas ao nosso redor e o quanto somos culpados por nossas atitudes. É um filme simples, com defeitos, mas tem uma mensagem que me tocou bastante e mesmo com a sensação de que ele poderia ter sido muito mais intenso em alguns aspectos, acredito estar beeeem longe de todo esse ódio que rolou durante o festival.

Matthey McConaughey e Ken Watanabe The Sea of Trees

Particularmente, procuro colocar em primeiro lugar a essência e os sentimentos que os filmes me trazem ao invés da técnica, às vezes isso se faz necessário. The Sea of Trees foi um filme que me agradou, ele fala sobre temas delicados de uma forma sutil e que vai depender de como você enxerga não somente o cinema como arte, mas também a vida. O elenco está muito bom, a fotografia é linda e realmente acho que vale a pena dar uma chance, afinal, todos nós temos os nossos gostos, nossas histórias e sabemos a forma como absorvermos qualquer tipo de coisa, não é mesmo?

3 estrelas

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

>