“Thor Ragnarok” te deixará perturbado e satisfeito.

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Thor Ragnarok é um filme descontrolado. Depois de dois filmes medianos e considerados por muitos como os mais fracos do universo compartilhado da Marvel, o Deus do Trovão precisava se reinventar. Para isso, a Marvel chamou o diretor neozelandês Taika Waititi para comandar a “conclusão” da Trilogia de Thor.

Conhecido por filmes independentes e de baixo orçamento, a inclusão de Taika nesse tipo de filme mainstream, era um grande mistério. Felizmente, ele não entrega somente um ótimo filme para os fãs, mas também uma aventura/comédia/road movie para o grande público… é uma mistura que dá certo. E que mistura!

Além de adaptar a mitologia nórdica do Ragnarok, ele inclui a história do Planeta Hulk, as Valquírias, o Doutor Estranho, algumas pistas sobre os Vingadores: Guerra Infinita, e muitos personagens novos. Podemos perceber muito do humor, que começou em Guardiões da Galáxia, se expandindo aqui. Se naquele canto da galáxia ríamos com piadas escatológicas com Pollock, aqui temos piadas de orgias e até sobre o ânus do Diabo.

Os filmes do Thor sempre foram os mais piadistas, tanto que até atrapalhavam seus momentos dramáticos, mas nesse, eles nem se importam… pra que estender uma cena dramática se podemos colocar uma cena hilária em seguida? Tinha tudo pra dar errado, mas não dá! O filme é tão frenético que não temos tempo pra sofrer, nem o Thor. O paradeiro de Jane (Natalie Portman)? Pff, quem se importa? Essa e outras pontas soltas são resolvidas com frases rápidas ou, quando tem chance, outra piada.

Da primeira cena do filme até a última, ele e todos seus amigos estão se divertindo e é transparente no filme. Junto com toda essa energia, o design de produção é de cair o queixo. Como Kevin Feige, o produtor, disse em entrevistas, esse filme é uma carta de amor para Jack Kirby, famoso artista, que ao lado de Stan Lee criou o universo Marvel nos quadrinhos e é conhecido como um visionário por seus designs elaborados e com forte personalidade. Sentimos seu estilo vibrando nos grafismos das paredes, nos formatos das armas e até nas fantasias carnavalescas dos ET’S.

Por último, a trilha sonora criada por Mark Mothersbaugh adiciona uma estética futurista antiquada, que casa com toda a confusão que estamos vendo, fora a música Immigrant Song do Led Zeppelin em dois momentos chaves, perfeito. Thor Ragnarok é um filme que atira para todos os lados mas acerta todos os alvos. Você sairá perturbado e satisfeito da sala do cinema.

Marcel Melfi
Colaborador | Também do autor.

Designer pra ganhar dinheiro e artista pra ser feliz. Apaixonado por filmes, quadrinhos e filmes de quadrinhos. Autor da Trilogia Odisseia Naftalina.

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