“A Torre Negra” é um filme que diverte, mas não encanta.

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A Torre Negra é uma das sagas mais queridas da literatura nos últimos anos. Escritos por Stephen King, os livros da franquia misturam muitos gêneros e conquistaram uma legião de fãs pelo mundo. Há muito se fala sobre uma adaptação da história do Pistoleiro, mas devido a complexidade desse universo criado pelo autor, a ideia foi adiada várias vezes ao longo dos anos. Particularmente, não sou muito fã da saga, mas confesso que os personagens épicos e toda a teia que Stephen construiu ao longo dos livros, dariam uma bela franquia cinematográfica. Pena que, como de praxe, os produtores resolveram pegar todo o material de King e fazer uma trama completamente diferente, que transforma toda essa genialidade do autor em algo confuso e sem vida. Falo mais sobre isso nos próximos parágrafos, beleza?

Em A Torre Negra conhecemos Jake Chambers, um guri que está tendo uns sonhos bizarros com um tal Homem de Preto, que como todo bom vilão, tem o intuito de destruir a famosa torre do título. Em um belo dia, Jake atravessa um portal e encontra com outra figura conhecida de seu subconsciente, o Pistoleiro, e juntos, os dois devem acabar com a raça do Homem de Preto antes que ele coloque a Torre no chão e faça as trevas dominarem todas as dimensões.

Não que A Torre Negra seja um filme ruim, ele não é daqueles que te deixa entediado e tal, mas sabe quando tudo tinha um potencial para ser fodão e o resultado é bem mediano? Parece que a história nunca engrena de verdade e nem nos empolga a ponto de imergimos em tudo aquilo, nós apenas assistimos, acompanhamos um montão de situações aleatórias e o filme acaba, simples assim, sem grandes explicações e sem grandes emoções. Tudo acontece de uma forma tão rasa, que fica muito difícil se conectar com a trama, e olha que estamos falando de portais, dimensões paralelas, demônios, rivalidade… coisas suficientes para fazer nossa cabeça explodir de sentimentos, não é verdade?

Todos os elementos para um filme legalzão estão ali, mas a falta de dinamismo, aprofundamento e vínculo com a trama prejudica demais a narrativa. Uma história com um pano de fundo tão complexo, merecia um cuidado melhor, um ritmo mais lento para que a gente entendesse o real conflito e torcesse verdadeiramente pelos protagonistas. Tudo ocorre muito depressa, A Torre Negra tem um constante excesso de informações e isso pode ser prejudicial para quem não leu os livros ou não está familiarizado com a mitologia da saga. É isso que dá quando tem a brilhante ideia de adaptar vários livros em um filme só, a coisa vira uma verdadeira bagunça e demonstra uma nítida falta de foco que transforma essa obra em algo vazio e até mesmo esquecível.

Tem momentos legais? Sim, tem bastante coisa bacana em A Torre Negra, por exemplo, Idris Elba e Matthew McConaughey estão muito bem nos seus papéis e parecem realmente se odiar, mas o roteiro não explora isso. O ritmo do filme é bom e muito eficiente no quesito diversão, mas a história se desenrola de uma forma sem dinamismo algum. As cenas de ação são muito boas, mas estão inseridas de uma forma completamente aleatória. Entendem o que quero dizer? Todos os pontos bons do filme são contrapostos por algo que podia ter sido tão melhor acabado, poxa, Stephen King entregou tudo ali de mão beijada, era só seguir aquela essência e pronto.

A Torre Negra é um filme que diverte, mas não encanta. Ele tem uns efeitos especiais bacanas e umas cenas de tiroteio bem legais, principalmente no final, talvez se tivesse 14 anos de idade, eu pirasse com tudo o que vi; mas de verdade, por mais que eu quisesse, não sai do cinema querendo mais de tudo aquilo e essa sensação de indiferença é horrorosa, principalmente quando se trata de um filme com um potencial gigantesco para atiçar nossa imaginação e mais do que qualquer outra coisa, nos envolver 🙁

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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