“Transformers: O Último Cavaleiro” é um filme que você esquece rapidamente.

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Transformers é uma das franquias de maior sucesso da atualidade. Mesmo dividindo o público, algo inegável da trama dos Autobots vs Decepticons é o seu alto grau de diversão e a maneira com que as suas cenas de ação são dirigidas, que além de ter uma realidade enorme, são de uma perfeição que faz o queixo cair. É mais do que fato que a saga ficou marcada por essas características e a cada capítulo os produtores foram injetando mais adrenalina e mais tecnologia na coisa toda, mesmo que a essência de aventura e descobertas do primeiro filme tenha se perdido a cada nova empreitada.

Dessa vez a trama volta nos tempos de Rei Arthur (SIM!) e descobrimos (DE NOVO!) que os Transformers estão na terra há muito tempo. Um poderoso artefato foi escondido por nossas bandas e ele tem o poder de destruir o planeta que vivemos, que é claro, desperta o interesse de um ser místico (!) que não vai poupar esforços para botar as mãos nessa relíquia sagrada. Cabe a Cade Yeager (Mark Wahlberg) e Bumblebee impedir que isso aconteça, nem que para isso tenham que lutar contra ninguém menos que ele… Optimus Prime.

Filmado completamente com câmeras IMAX e perfeito para assistir em uma sala com essa tecnologia, Transformers – O Último Cavaleiro é tudo aquilo que você já espera. Uma história que se leva mais a sério do que deveria, com muita barulheira e uma falta de sentido tremenda. Beleza, Transformers sempre foi assim, mas não sei galera, não sei se estou ficando velho, mas dessa vez tudo me incomodou demais. O filme não para um segundo, é ação o tempo todo, carro capotando, bomba explodindo, gente gritando e são tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo que fica bem difícil de acompanhar.  

Isso não é lá uma coisa ruim, mas se levarmos em consideração que não dá para entender nada do que está acontecendo de verdade ali e tudo soar como uma bela de uma encheção de linguiça, o filme perde muitos pontos. Soma tudo isso a uma história que insere diversas tramas, não desenvolve apropriadamente nenhuma delas e pronto, você tem a fórmula de sucesso para um filme que apesar de entreter demais, dificilmente vai te prender e despertar o seu interesse; o que sobra é um tédio gigantesco, afinal, se não dá para entender direito o que está acontecendo, resta apenas observar de longe tudo aquilo que está acontecendo. Essa falta de vínculo é um defeito muito grande!

Não há necessidade alguma desse filme ter 2h30 de duração, minha gente. Tenho certeza que se os roteiristas resolvessem fazer uma trama mais simples e menos ‘’séria’’, o resultado seria outro. Transformers não precisa de uma trama mirabolante. Toda essa insanidade é bem legal na primeira hora, mas depois começa a ficar desesperador e tudo o que eu mais queria era um minuto de silêncio e isso NUNCA acontecia. Eu quero ver robô saindo no braço sim, eu gosto disso, eu pago facilmente para ver isso, só que eu quero ver essa treta de uma forma onde eu consiga entrar na história e torcer pelos personagens, algo que não acontece aqui já que o foco é total em estourar os nossos tímpanos. Sério, eu saí da cabine de imprensa zonzo, quase encostei na parede para achar um rumo.

Falando um pouquinho sobre o elenco, não sei por que insistem nesse cara, mas Mark Wahlberg não convence como protagonista de Transformers, nunca achei que fosse dizer isso, mas Shia Labeouf e Megan Fox fazem muita falta na franquia. A novata Isabela Moner rouba a cena, mas seu personagem é inserido na trama de uma maneira tão aleatória que chega a dar pena, nós achamos que ela será importante para a coisa toda, massss… cuén. Pode se dizer o mesmo de Anthony Hopkins, que mesmo aparentando um certo desconforto, ainda assim consegue elevar o nível das cenas que protagoniza. Essas coisas são talvez a última preocupação quando falamos de um filme do tipo, mas já pararam para pensar no quão foda seria se tudo fosse equilibrado da devida maneira? Reflitam sobre isso um pouquinho. Carisma é um fator essencial para que os personagens funcionem!

Transformers – O Último Cavaleiro é um pipocão Hollywoodiano em sua mais plena essência. Nada ali faz muito sentido ou tem desenvolvimento lógico, o que importa mesmo é a ação e dane-se todo o resto, ninguém parece ligar mesmo. Acho que tudo bem, esse pensamento tem lá o seu valor, mas gente, se é para ser assim, que seja rápido, objetivo e principalmente, que te faça entrar na história de uma maneira onde você se preocupe com os personagens como se eles fossem o seu salário no final do mês.

Este é um filme que passa, você enlouquece com as cenas de ação (literalmente!), mas que logo em seguida você esquece, afinal, é tudo muito igual e mesmo que seja visualmente deslumbrante, não há nada de diferente de tudo que vimos nos filmes anteriores. Este quinto capítulo é realmente mais do mesmo, mas nitidamente sem a magia que Transformers tem potencial de sobra para entregar!

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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