Um Limite Entre Nós (Crítica)

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Denzel Washington volta a direção ao lado de Viola Davis no drama familiar Um Limite Entre Nós, nove anos após dirigir e atuar em um mesmo filme, para contar uma história sobre família e pessoas, mas acima de tudo sobre a vida, retratando-a com a imprevisibilidade e visceralidade que esta tem. O ator e diretor capta sentimentalismo e raiva para discorrer por uma trama que abraça seus infortúnios, dando uma triste credibilidade a seus acontecimentos.

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No longa, o espectador acompanha uma parte da vida da família Maxson, mais especificamente Roy (Denzel Washington) um ex-presidiário que se encontra na tentativa de manter uma família, mas ainda com as tentações de uma vida feliz que “deixou para trás” a partir de suas escolhas, e acompanhado por sua esposa, filho e um amigo, a vida de Roy e aqueles ao seu redor vai se desenrolando em uma pilha de conformações, desentendimentos e pequenos momentos.

Aqui a adaptação teatral se sustenta com atuações de peso e uma simples, porém boa, história, construída a partir de longos diálogos e um troca troca de falas que prende a atenção de quem ouve. Denzel entrega os sentimentos mais apaixonantes e mais negativos de um homem cujos sonhos foram desgastados pelo tempo e realidade. Viola Davis é uma mulher que se mune de conformismo, mas consegue mostrar as dificuldades em melhorar de vida sendo casada e é a personificação daquele que faz o espectador duvidar de seu protagonista, mostrando que relações parentescas são construídas em tons de cinza e não no preto no branco.

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A cerca do roteiro e peça de August Wilson é suposta para dar limitação, e de certa forma consegue, criando um palco para as atuações e restringindo o espectador ao ambiente rotineiro de uma família, que chega a ser claustrofóbico, para um estudo de realidade, mas acaba por ser um pretexto convidativo que faz a ligação entre pessoas. O filme de Washington encontra lugar em seu retrato melancólico da vida e faz da câmera e linguagem cinematográfica um ótimo veículo para contar a história com suas devidas modificações.

Após tanto empenho e premiações pelo trabalho no teatro, só resta agora saber se Denzel, ou sua companheira Viola, terão êxito com suas indicações ao Oscar. O resultado saberemos no próximo domingo, 26/02.

Vinícius Soares
Colaborador | Também do autor.

Cinéfilo desde que descobriu o que significava cinema e o valor da Sétima Arte, viciado em séries em um nível saudável, desenha ocasionalmente e escreve mais do que come. Sonha em ser roteirista e jornalista e com certeza deseja ser um pouco mais alto

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