“Um Lugar Silencioso” não deve ser assistido junto com o povão.

 

Dirigido pelo também ator, John Krasinski (Detroit em Rebelião) e protagonizado por sua esposa, Emily Blunt (A Garota no Trem), Um Lugar Silencioso acompanha uma família que tenta sobreviver em um futuro pós apocalíptico e para isso precisam viver em silêncio total e absoluto. Tudo ia bem até que…. bem, não vou contar para vocês, já que seria uma baita sacanagem estragar a belíssima experiência que é assistir esse filme.

Quando o filme acabou, confesso que estava até cansado de tão agoniado que fiquei. Um Lugar Silencioso é um terror que consegue meter medo, contém um suspense que te deixa tenso, e acima de tudo, tem um drama que comove. Unindo esses três gêneros, temos uma produção pra lá de original, que tem tudo para agradar não só os fãs do caos e ação desenfreada, mas também todos que apreciam uma história bem contada; que com personagens bem construídos, um perigo real e situações que assustam (e divertem), é algo que não falta aqui.

Imagina bater o dedinho na quina do sofá e invés de soltar aquele maravilhoso palavrão que começa com C, ter que ficar bem caladinho pois a sua dor pode atrair um perigo mortal? São por situações assim (quer dizer, mais ou menos) que os personagens passam ao longo dos rápidos, porém angustiantes, 95 minutos de filme. A imersão que temos na história é muito grande, há um envolvimento com a situação e com aquela família, a gente torce pra eles verdadeiramente e isso é crucial para que a história funcione.

Com muita naturalidade somos apresentados a este mundo e não precisamos de grandes explicações para entender que tá todo mundo fudido. O roteiro do filme é tão bom que você não sente o tempo passar, mas sente o medo que aquelas pessoas estão vivendo, tudo isso também graças a excelentes atuações de Noah Jupe (Extraordinário) e a novata Millicent Simmonds, que dão um verdadeiro show e são responsáveis por um dos melhores e mais aterrorizantes momentos do filme.

Estamos diante de um produção que além de meter um medinho, nos deixa tenso e também comove. Esses elementos são guiados com muita simplicidade pelo diretor, que sem apelar para sustos previsíveis (já que a história quase não tem diálogos) criou uma atmosfera de terror que não nos assusta por conter imagens de órgãos sendo fatiados ou demônios xingando em latim, mas sim por explorar e usar os sentidos dos seres humanos como uma crível situação de terror. O silêncio pode ser realmente aterrorizante e isso foi retratado de uma forma que nos deixa inquietos.

Um Lugar Silencioso é um ótimo filme e muito merecedor do provável sucesso que vai fazer nas bilheterias. Não tenho dúvida alguma de que foi um dos melhores que assisti nos últimos anos e também um dos que mais me divertiu. Vale muito a pena ser visto nos cinemas, mas sério, tenta ir em um horário mais vazio e em um cinema menos popular, pois essa é uma experiência que merece ser vista da maneira na qual foi planejada, em total silêncio 😉

Victor Piacenti

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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