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Um Namorado Para Minha Mulher (Crítica)

As comédias populares brasileiras atuais sofrem de bastante preconceito, apesar de conter alguns títulos bem divertidos como Se Eu Fosse Você e De Pernas Pro Ar, não dá pra negar que a maioria delas é uma besteira sem tamanhos e que pouco fazem jus aos valores absurdos dos ingressos no cinema ou até mesmo a saúde mental das pessoas. Por causa disso, é muito comum a galera subestimar esse tipo de produção e muitas vezes não dar a devida atenção a títulos que talvez possam se destacar, mesmo que seja um pouquinho, dos outros. Infelizmente houveram muitos motivos para isso, não é mesmo Leandro Hassum?

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Baseado em uma comédia argentina, aqui acompanhamos Chico (Caco Ciocler) que cansado das reclamações e chatices da sua esposa Nena (Ingrid Guimarães) e também sem coragem para pedir o divórcio, toma a decisão de contratar um amante (Domingos Montagner) para seduzi-la, tornando a situação bem mais fácil. Porém, contudo, entretanto, no meio do caminho as coisas tomam outras proporções, que levam o rapaz a repensar tudo o que está acontecendo, afinal, dizem que o amor vence qualquer obstáculo,

Ingrid Guimarães e Domingos Montagner

Com uma direção competente de Julia Rezende (Ponte Aérea) e um elenco carismático, Um Namorado Para Minha Mulher talvez seja um exemplar que vai totalmente contra a maré dessa nova leva de comédias brasileiras. Para começar, ela não tem aquele tom de besteirol e até mesmo sua fotografia é mais dark que outras, seu humor é mais sutil, sem todas aquelas mímicas, gritarias, barracos e utiliza de situações do nosso cotidiano para fazer graça, um grande acerto que gera uma empatia com a personagem ranzinza de Ingrid Guimarães, responsável por falar as verdades que muita gente pensa e rende momentos bem legais para a trama. Além disso, é bom ver que resolveram fugir do cenário do Rio de Janeiro e resolveram passar a trama em São Paulo; explorando bem o charme de alguns pontos da cidade e também dando o tom menos ”caloroso” para a produção.

Interessante falar também sobre ver um novo lado de Ingrid Guimarães, afinal, estamos acostumados a vê-la em personagens alegres e que transbordam de agitação; aqui vemos uma mulher completamente amarga, que reclama de tudo e simplesmente não sorri, foi realmente uma boa atuação e ela consegue convencer como a ‘louca dos textão’, serviu para reforçar minha ideia de que ela ficaria ótima como uma vilã de novela das 9, dessas ricaças que manda matar e ainda dá risada. Caco Ciocler e Domingos Montagner completam o trio, que ao meu ver teve uma química muito boa, ajudando a dar a este filme uma personalidade própria e ser com certeza acima da média do gênero.

Um Namorado Para Minha Mulher

Um Namorado Para Minha Mulher é um filme correto, com atuações convincentes, momentos divertidinhos, bem executado e que obtém certo sucesso na sua proposta de entreter e mostrar uma realidade dos relacionamentos atuais e da vida moderna. Há situações engraçadas no roteiro e mesmo que não se enquadre como um exemplar do melhor que o cinema brasileiro já ofereceu, entre todas as produções feitas pela Globo nos últimos tempos, essa foi uma das que mais gostei justamente por rolar uma aproximação real com o público e ser um tanto quanto diferente das outras em sua abordagem, levantando questões relevantes mesmo que de forma simplificada. Se tiver a vontade ou oportunidade, dê uma chance, você vai se deparar com passatempo rápido, inofensivo e com uma trilha sonora deliciosa. Ponto do Brasil 🙂

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Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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