“Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” tem bastante imaginação, mas pouca emoção.

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Na história de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas conhecemos os agentes Valerian e Laureline, que descobrem que Alpha, uma cidade interplanetária que habita diversas espécies, está ameaçada. É aí que eles recebem a missão de saber o que está acontecendo e proteger todos que ali vivem. Uma trama básica, né? Pena que por trás de toda essa simplicidade há um roteiro que se alonga mais do que deveria e torna tudo uma baita de uma confusão.

Não diria que Valerian é um filme ruim, mas são tantas as escolhas erradas que a produção tomou, que em alguns pontos fica bem difícil de defender. A começar pelos protagonistas, Dane Dehaan (A Cura) e Cara Delevingne (Esquadrão Suicida), que não tem o carisma necessário para que o público simpatize com seus personagens. Eles não convencem como agentes federais intergaláticos e se isso já não fosse um problemão, adiciona aí uma pitada de zero química entre o casal e veja a mágica acontecer. Valerian peca em um quesito básico dos filmes de ficção e aventura, seus personagens não despertam a emoção que o gênero pede.

Mesmo com um 3D que realmente valha a pena e efeitos especiais de fazer cair o queixo, há também o problema da história. Há um mistério no ar, mas ele é previsível. Há bastante humor, mas ele não faz rir. Há uma trama cheia de aventura, mas não há um conflito. Eles inserem tanta informação no meio de tudo, que algumas cenas aparentam ser uma bela de uma encheção de linguiça. O melhor momento do filme fica com a personagem da cantora Rihanna, que realmente rouba a cena, mas ele não faz diferença alguma, assim como muitas cenas ali no meio.

A trama dá tantas voltas, sem razão, para chegar em um ponto que a gente já espera, que no final nada está mais verdadeiramente importando e mais do que tudo, sem nos envolver. Esse, junto da escolha dos protagonistas, é um grande defeito de em Valerian. Tudo aquilo não é capaz de transportar o espectador, mesmo com um roteiro frenético e cenas de aventura bem bacanas, a gente não sente que faz parte daquele mundo. Poxa vida, é uma trama de ficção científica, nós precisamos de um envolvimento real e personagens marcantes, sem isso fica muito difícil de embarcar na brisa, concordam?

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas vale a pena por um motivo que acho muito bom quando falamos neste gênero: imaginação. É um filme muito bonito de se ver – o visual dos Pearls é impecável – e todas aquelas criaturas e objetos futuristas realmente mexem com o nosso lado lúdico, mas só isso, pelo menos para mim, não bastou. Uma história com tantos elementos fantásticos e criativos merecia um grau de epicidade maior, algo que fizesse os nossos olhos brilharem não só por conta de seu visual maravilhoso, mas também por todo o conjunto da obra. Luc Besson (O Quinto Elemento) tinha a receita na mão, sabia como misturar e temperar tudo, mas preferiu escolher ingredientes que não faziam jus ao sabor, tendo como resultado algo que agrada os olhos, mas que nem de longe tem um gostinho de quero mais. Uma pena 🙁

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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