Vamos falar sobre ”Deuses Americanos”?

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Nas mãos de Bryan Fuller que traduz suas séries do papel para a televisão em forma de arte momentânea e estilizada, cada uma com suas peculiaridades e estilos próprios,Deuses Americanos , adaptada do livro de NeIl Gaiman (Sandman) e exibida pelo canal STARZ e com oito episódios, consegue fazer algo que buscamos diariamente não importa em qual contexto vivemos: se expressar. Muitos se expressam através de palavras, escritas ou musicadas. Através de desenhos, pintados em cor ou hachurados com grafite. Com o corpo, seja atuando, dançando, lutando. Ou com os pensamentos, através de estudos, filosofia ou pela crença.

Seguindo Mr. Wednesday e Shadow Moon, a série Deuses Americanos busca mostrar o contraste entre nossas ações e preocupações com o passar do tempo. A maneira como prioridades são fluidas e como o que é velho ainda pode existir no contemporâneo com uma nova face para seus antigos devotos. O ponto central estabelecido para esta jornada é que com o passar do tempo e a evolução de humanidade, as populações pararam de adorar seus deuses e assim eles foram perdendo seu poder, influência e relevância no mundo.

A premissa básica de Deuses Americanos é o papel da fé em nossa sociedade e mesmo com tópicos tão frágeis em mãos, a dica dos envolvidos é não se preocupar com o que pode ofender e simplesmente contar uma ótima história, mesmo que com momentos de devaneio.

O aspecto que pode fazer Deuses Americanos perder parte de seu público é o ritmo com que conta sua história. Iniciando cada episódio com uma pequena história sobre seus deuses e de onde vieram, como atuam ou atuaram e sobre como deixaram de existir, algumas vezes a série faz disso um episódio inteiro que não necessariamente leva o arco principal para frente, mas vai embora deixando o espectador com mais conhecimento. Não são de forma alguma episódios arrastados, mas são longos para o pequeno conto e para a moral que queria passar.

Na produção, sim, é onde a história de Neil Gaiman ganha sua personalidade visual para seriado. Com a poesia em planos detalhe, humor sutil e ácido no roteiro, fotografia épica, decisões estéticas propositalmente exageradas e uma trilha que remete ao remix de uma prece antiga, essa primeira temporada faz com seu material de origem uma transição inteligente para uma nova mídia, sem subestimar seu público, sabendo onde quer chegar e preparada para que quando as perguntas começarem a ser respondidas haja um verdadeiro impacto em seu mundo fantástico.

Vinícius Soares
Colaborador | Também do autor.

Cinéfilo desde que descobriu o que significava cinema e o valor da Sétima Arte, viciado em séries em um nível saudável, desenha ocasionalmente e escreve mais do que come. Sonha em ser roteirista e jornalista e com certeza deseja ser um pouco mais alto

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