”Vida” seria tão legal se não fosse tão clichê.

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Vida (Life) conta a história de um grupo de astronautas da Estação Espacial Internacional, que descobre sinais de vida inteligente em Marte e a investigação do fato gera, daquele jeitinho que Hollywood adora fazer, consequências inimagináveis.

Fui assistir ao filme sem grandes expectativas e saí de lá com a sensação de que já esperava por tudo aquilo, ou seja, foi mais do mesmo. As coisas ocorrem sem grandes revelações ou grandes resultados, talvez por faltar uma certa química entre o elenco, principalmente entre Jake Gylenhaal e Rebecca Ferguson (A Garota no Trem), que até tentaram, mas não conseguiram manter uma sintonia ou transparecer qualquer tipo de intimidade e cumplicidade um com o outro, já que Rebecca parecia estar alí apenas para receber seus honorários, com uma expressão que variava entre robótica e dramática, num choro forçado. Enquanto isso, Jake não conseguia convencer como o suposto herói do grupo, já que apesar de tentar, ele mesmo parecia não acreditar no que fazia. Quanto aos demais integrantes, Ryan Reynolds, parecia ter encarnado o tiozão da turma, daqueles que só consegue fazer piadas forçadas e perceber que fez merda, sem qualquer outra utilidade no filme, assim como o restante do elenco que está ali apenas para servir como um cota de mortes, essas sim muito bem executadas e que me deixaram agoniada, até mesmo por acontecerem em circunstâncias bem diferentes.. e que não vou contar para vocês, claro.

O filme teve seus pontos bons quando se tratou do clima de suspense, uma pitada de terror bem presente na tal da vida inteligente que foi encontrada, que foram o ponto alto capaz de chamar a atenção e prender o telespectador, já que ela se desenvolvia rapidamente, tendo aquela característica medonha, assustadora e implacável, que quando cresce, só torna a situação ainda mais desesperadora, ou seja, nesse ponto, o subgênero cumpriu seu papel, mesmo com alguns furos na história. Tipo a variação da inteligência da tal descoberta que horas parecia saber bem o que procurava e onde encontrar, mas por horas caindo em armadilhas previsíveis.

Ah, e falando em previsível, tirando o clima de suspense que prevaleceu no meio da trama, o final foi a cereja do bolo, apenas mais do mesmo e deixando aquela sensação de que era uma ideia que poderia ter sido melhor trabalhada se o elenco fosse convincente e se o final não fosse tão clichê ao ponto da gente sair até desapontado, porque o desenvolvimento da trama deu uma esperança com o ritmo de perseguição e a tentativa instintiva dos personagens em sobreviver; porém, logo antes de nos levantarmos da poltrona, a gente recebe um baldão vazio de pipoca, sim, vazio, e faz cara de tacho sem saber o que sentir com aquilo, afinal, por trás de muita coisa que me incomodou, existe um filme legal.

Vida, mesmo com um elenco de peso, uma história legal a ser trabalhada, suspense e alguns efeitos bem realizados, é um filme não se segura e acredito que é preciso haver coesão entre a história e o elenco, é também preciso que os atores e a direção saibam convencer e dar um desfecho que surpreenda, o que com certeza não aconteceu aqui.

Liliane Stoianov
Colaborador | Também do autor.

Trintona, psicolouca, pedagoga, ama viajar, tocar piano, compartilhar minha paixão que é o cinema, os devaneios e o que mais vier à cabeça durante as tramas e películas que assisto.