A Vigilante do Amanhã: Ghost In The Shell (Crítica)

Browse By

Vamos falar de um dos grandes lançamentos desse ano, trata-se de A Vigilante do Amanhã (Ghost in the Shell), uma trama de ficção científica, com fortes toques de ação e uma pitada de drama, ambientada num mundo pós 2029, onde cérebros (e almas) se fundem facilmente a computadores, e a tecnologia está em todos os lugares. Major é uma ciborgue gerada numa experiência avançada e precursora, dotada de experiência militar e grandes habilidades que comanda um esquadrão de elite especializado em combater crimes cibernéticos.

A personagem Major, vivida por Scarlett Johansson passa o filme tentando sentir algo, tentando conhecer e entender a própria história, e sinceramente? Em momento algum eu senti algo genuíno na interpretação dela, ela parecia ter vestido a carcaça de um ciborgue e achado que fazer cara de paisagem, conter qualquer expressão facial, decorar um texto, já estaria bom, sendo que ali a diferença, a premissa, é justamente outra, e que na verdade ela seria a medida exata entre habilidades cibernéticas, raciocínio e empatia, mas ela não aparentava ter empatia alguma. Isso deixou uma lacuna enorme entre a história e a execução do filme, por isso, enquanto assistia, preferi apenas me desligar do mundo exterior e apreciar todos os efeitos, cenários e a fotografia. Juliette Binoche, que fez o papel da Dr. Ouelet, parecia estar vivendo um papel em um filme completamente diferente e dramático; deslocada, a coadjuvante variava as expressões entre choro e medo, sem transmitir conexão ou veracidade à sua parte na trama.

Ghost In The Shell é um filme que se segura pelos excelentes efeitos visuais e fotografia, mas peca no desenvolvimento da história e pelos personagens nem tão empáticos ou emblemáticos, acabamos tendo que concordar que a ideia de inserção no filme devido aos efeitos IMAX, mascara bastante a falta de um roteiro consistente e que envolva, a história parece tentar a todo custo chegar num ponto que infelizmente não chega e deixa o público apenas na expectativa de um ponto chave que costure toda a trama e traga um desfecho para a história que eles tentam compartilhar.

Se você é fã do mangá é bem capaz de encontrar conexões com a história ou encontrar ainda mais furos e falhas, cabe a cada um assistir e ter sua própria interpretação, mas a impressão que tive é a de que faltou mais coesão, mais consistência e mais veracidade nas interpretações e na trama como um todo, os pontos fortes ficaram marcados pelo excelente figurino, a maquiagem impecável, os efeitos visuais incríveis e a trilha sonora que realmente se integrava ao clima futurístico, urbano e dinâmico. Esses sim, os verdadeiros protagonistas da história.

Liliane Stoianov
Colaborador | Também do autor.

Trintona, psicolouca, pedagoga, ama viajar, tocar piano, compartilhar minha paixão que é o cinema, os devaneios e o que mais vier à cabeça durante as tramas e películas que assisto.

>