xXx: Reativado (Crítica)

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Juro que fui ao cinema de cabeça aberta e coração limpo, mas mesmo com toda a boa vontade que inundou o meu peito, foi muito difícil aguentar este filme. Eu sinceramente não sei nem por onde começar a falar sobre, não somente pelo fato que ele é de um gosto extremamente duvidoso, mas também pela proeza de que mesmo sendo lotado de defeitos, eu simplesmente não consegui odiar tudo o que vi. Bom, vamos começar do começo e ai vocês vão me entender.


Sobre a história, ela não existe, ok? É apenas o Vin Diesel (que se chama Xander Cage no filme, mas ninguém se importa com isso) fazendo piadinha machista o tempo todo e saltando, dando tiro, porrada e tudo o que muito provavelmente ele pediu para acrescentarem no roteiro apenas por que achou que seria ”top”. Sabe gente, mesmo que os tempos tenham mudado, os filmes de ação podem ter uma abordagem clichê e descerebrada sim, isso não é crime, mas poxa… custa fazer com criatividade? Tem tantas produções do tipo que mesmo sendo apenas para entretenimento, conseguem fazer isso de uma maneira cativante e envolvente… coisa que não rola de jeito nenhum aqui, mesmo que a todo momento aconteça algo.


Em XXX: Reativado somos ”abençoados” com uma trama que sai do nada e chega a lugar nenhum, tudo acontece aleatoriamente e PÁ PÁ PUM, acabou. Eles mataram todo mundo, zoaram de montão e nós apenas observamos sem ter um pingo de envolvimento. Sabe quando você ta doente e sua mãe não te deixa brincar na água da mangueira com a galera? É mais ou menos essa sensação. Nós vimos eles se divertindo, nós testemunhamos toda aquela loucura, mas parece que o diretor D.J. Caruso (Controle Absoluto, Paranóia)  e os roteiristas não estavam lá muito interessados em criar uma proximidade entre o espectador e os personagens. Pega Velozes e Furiosos como exemplo, é o mesmo esquema de blockbuster de ação, só que a diferença é que nós conhecemos os personagens e acompanhamos tudo junto com eles e não apenas como um mero espectador. Entendem o que quero dizer? Ali há pelo menos o mínimo de empatia necessária para fazer a trama fluir, o que falta muuuuuito aqui.


Porém, como eu disse, apesar de tudo, não consegui odiar o filme… e sabem o motivo? Simplesmente por que me deixei levar lá pela metade da coisa toda. Se ele não se leva a sério, porque logo eu deveria levar? No começo tava realmente difícil, mas depois eu liguei o foda-se e parei de pensar em todas essas coisas, se não eu ia acabar surtando. Foi só ai que consegui aproveitar melhor a proposta de XXX: Reativado. Não que isso seja algo a ser louvado, ok? Ainda assim não consigo classifica-lo como um bom exemplar do gênero e digo isso pois também nunca vi tanto ator inexpressivo em um filme só. Até mesmo a Toni Collette (O Sexto Sentido) que eu amo, está ali passando vergonha. Quem se sobressai  é Nina Dobrev (The Vampire Diaries), pois é a personagem que mais se aproxima do que podemos chamar de ”humano”. Ah, como se não bastasse, o queridinho do capitalismo brasileiro, Neymar Jr, faz uma participação digna de vergonha alheia, que se não fosse bizarra por si só, chama ainda mais a atenção por uma montagem horrorosa onde fica nítido que ele nem chegou a cruzar com seu parceiro de cena, Samuel L Jackson.

XXX: Reativado é realmente um filme ruim. Odiei? Não. Mas também fiquei bem longe de achar aceitável. Ele não é uma das melhores opções de entretenimento, há coisas muito mais chamativas para serem vistas… porém, achei muito simpático da parte deles, saber que estão fazendo algo bem ridículo e se entregarem a isso. Se você se propor, uma dica que dou é: NÃO PENSE EM NADA, apenas deixe os olhos passarem pela tela e esqueça qualquer análise humana ou verossímil, afinal, a única coisa que é bem desenvolvida ali é o ego do Vin Diesel e vamos combinar uma coisa, ninguém está interessado em ficar vendo piadinha de macho alpha pegador. Vale pelas cenas de ação e olha que nem elas são grande coisa. É uma pena, pois potencial para diversão tinha de monte 🙁

Victor Piacenti
Editor Chefe | | Também do autor.

Um cara fanático por Stephen King, que sente um prazer imenso ao ver uma cidade sendo destruída na tela do cinema. Além de ser sagitariano, não sabe andar de bicicleta, é viciado em coxinha e acredita (até demais!) em ETs.

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